10 dicas para andar de táxi em Buenos Aires

Buenos Aires é um celeiro de picaretas atrás do volante. Como em algum momento você deverá alimentar essa indústria da malandragem, minha dica principal é não deixar com que isso influencie o seu humor durante o resto da viagem.

Eu fui vergonhosamente passado para trás. Recebi uma nota de AR$ 50 mais falsa do que feriado em agosto, mas, como sempre, foi mancada do turista.

Taxi em buenos aires

Estávamos cansados, esperando por um banheiro há horas e atrasados para o horário marcado em um restaurante badalado em Palermo – esse sou eu tentando não falar do Cabrera mais uma vez.

Bem, como se o cenário acima não bastasse, a placa identificativa no painel em frente ao assento do passageiro mostrava uma pessoa claramente diferente da que estava ao volante.

Enfim, assim que o taxímetro passou dos AR$ 50, como mágica, chegamos em nosso albergue. Depois de pagar e sair do carro, o motorista nos chamou para mostrar um pequeno corte na nota de 50, dizendo que como ela estava danificada ele não poderia aceitá-la – mas é claro que a nota já tinha sido trocada.

Como evitar ser passado para trás em táxis na Argentina

Dicas de segurança para andar táxi em Buenos Aires

  • Identifique um táxi real

Táxis em Buenos Aires são pretos e possuem teto amarelo.

  • Escolha um cooperativado

Entre em carros de cooperativas que mostrem nome e telefone em adesivos colados de ambos os lados. O carro do caso acima era cooperativado, o que não evitou a bola fora, mas o que ainda sim diminui as possibilidades de ser enganado.

  • Dê preferência para os mais velhos

Na rua, dê preferência para os carros dirigidos por senhores de cabeça branca – a gente prefere crer que a probabilidade de ser passado para trás por eles é menor.

  • Sempre que possível, peça pelo telefone

Pedir um carro via radio taxi é uma ótima escolha: em Palermo ligue para (11) 4854.1111. Nas proximidades do centro ligue para (11) 4932.2023. Uma taxa de deslocamento inferior a AR$ 5 pode ser cobrada.

  • Peça uma estimativa do valor

Depois de alguns dias na cidade você saberá o valor médio de uma corrida entre um ponto e outro. Para um carro parado, pergunte quanto geralmente vale uma corrida dali para o ponto desejado; mas sempre ande com o taxímetro ligado e não aceite valores previamente estipulados.

  • Evite aborrecimentos no aeroporto internacional

O pior lugar para barganhar corrida é no Aeroporto Internacional de Buenos Aires. Caso você não tenha um transfer, evite o primeiro aborrecimento da viagem e contrate um carro com valores tabelados na cabine do Taxi Ezeiza, logo na saída do desembarque.

  • Use notas pequenas

Mesmo que sua corrida tenha dado AR$ 55, evite usar notas de 50 que são as mais falsificadas e com maior custo-benefício para o falsificador. Utilize notas de 10 e 20, o que irá produzir trocos menores, o que será sempre muito bem-vindo em Buenos Aires.

  • Na hora de pagar, narre o que está acontecendo

Dizer exatamente o que se está pagando e como está pagando mostra que você não está ali a passeio: “estou usando essa determinada nota com determinado número de série para pagar a corrida que deu tantos pesos, certo?”. Isso fará com que ele evite fazer a troca pela nota falsa ou dizer que você se enganou na hora do pagamento; como dizer que recebeu duas notas de 5 e não três para pagar uma corrida de AR$ 15; ou dizer que você entregou uma nota de 10 quando deveria ter entregue uma de 100.

  • Confira antes de sair do carro

Caso você receba uma nota de 50 das mãos do motorista, principalmente se ele tiver tido tempo de trocá-la, não hesite em conferi-la antes de sair do carro. Se você é como eu e chegou ao ponto de deixar de pegar táxi na cidade e passou a andar apenas de transporte público, compre uma caneta detectora de notas falsas e saia rabiscando sem pudor algum.

  • Fique atento ao trajeto

Dê o endereço completo, cite a esquina mais próxima e não deixe de dar o número do destino final: Thames y Paraguay 320 (“y”, aqui, é “com”). A forma mais comum de enrolar o passageiro é andar em círculos enquanto o motorista mantém uma conversa constante para distrai-lo. Pergunte se aquele é o melhor trajeto, o mais comum ou porque demora tanto para chegar ao destino final.

  • Não faça nada que não queira

Eu gostaria de incentivá-lo a conversar apenas o necessário, mas a quantidade de gente que diz que os motoristas de Buenos Aires possuem “as melhores histórias” é assustadora. Muitos possuem acordos com restaurantes, baladas e casas de prostituição e tentarão fazê-lo mudar de ideia (é comum dizer que o lugar que você deseja ir faliu, já está fechado ou que conhece lugares “muito melhores”).

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A identificação do taxista fica dependurada no banco do motorista

  • Procure pela identificação

Logo atrás do banco do motorista você verá uma aviso de identificação idêntico ao que aparece na foto. Depois de ter sido passado para trás passei a fotografar todos os outros. Caso você leia “Ramon Armando Aguirre”, diga que a corrida fica por conta dos últimos 50 que ele me deve.

Claro que todas essas dicas se aplicam aos malandros que, mesmo sendo bandidos, pertencem a uma classe menos perigosa: caso a corrida tenha dado AR$ 20 mas o motorista diz que deu AR$ 50 e segura algo sob a blusa, nada mais sensato do que pagar o que ele pede e sair dali o quanto antes – isso não é malandragem, é assalto.

Saiba que a bandeirada inicial custa $ 5,80 e cada 200 metros ou minuto de espera são outros 58 centavos. A tarifa noturna, entre dez da noite e seis da manhã, é 20% mais cara.

E, por último, lembre-se: nota falsificada não tem marca d’água!

Leia mais para saber o basicão de Buenos Aires:

Pensando alto: Buenos Aires, primeiras impressões

Buenos Aires: perguntas e respostas

Buenos Aires: 25 dicas de hotéis

+ Como se locomover em Buenos Aires

+ Qual o melhor seguro de viagem para Argentina?

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Outras dicas do blog para programar a sua viagem:

  Já sabe onde ficar em Buenos Aires? Fiz três listas com as melhores opções nos bairros mais procurados: Palermo, Microcentro e Puerto Madero.

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Sou jornalista, trabalhei com assessoria de comunicação e fui repórter de turismo. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Sou @rodeiviagens no Insta.


'10 dicas para andar de táxi em Buenos Aires' têm 12 comentários

  1. 14 de fevereiro de 2013 @ 20:40 Daniel Hiroyuki Vatanabe

    Parabéns pelo site. Depois que conheci a produtividade no serviço caiu vertiginosamente!!!
    Em nossa viagem à capital portenha tivemos um único incidente, no caminho Centro – Caminito… (eita lugar sem graça e cheio de pessoas mal encaradas, valeu pela visita ao estádio).
    O valor do táxi saiu em 250 pesos!!!!!! (A volta ficou em torno de 80 ^^)
    E o malandro ainda trocou uma nota de 100, alegando que eu dei uma de 10…
    Ok, faz parte. Nem ligamos para isso.
    Se estressar só estraga ainda mais o passeio.
    Parabéns novamente.

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    • 26 de fevereiro de 2013 @ 15:58 Thiago Khoury

      Oi Daniel, obrigado pelos elogios! E que espírito elevado esse seu, eu estaria desejando motor fundido até hoje para o meliante!

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  2. 19 de dezembro de 2012 @ 13:07 Jacqueline

    Fomos neste final de semana e os taxistas tbm tentaram nos enganar (2 taxistas no mesmo dia), porém não conseguiram! Já está velho este golpe de rasgar um pouco a nota e dizer que precisa trocar né? Até pq meu esposo viu rasgando. Bom, é só pesquisar antes, tudo que acontece em um determinado local. Fizemos amizades lá e outros turistas tbm quase foram passados para trás…o taxista cobrou AR$85,00 por um circuito de 5 minutos. Eles contestaram e fez por menos, mas ñ o valor correto, até pq ninguém tem paciência de ficar discutindo com pessoas arrogantes como são os argentinos.

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  3. 21 de novembro de 2012 @ 6:28 Jonas Blau

    Achei as observações um pouco exageradas, como se todo taxista portenho fosse um bandido em potencial. Fui várias vezes para Buenos Aires e nunca fui enganado, exceto uma vez em que desconfio que o taxista deu umas voltas desnecessárias para chegar ao destino – mas nada muito grave. Também discordo que não se deve conversar com os taxistas. Ora, esta é a melhor parte de qualquer viagem: conversar com os moradores locais! E ninguém melhor do que taxistas para a gente conhecer a alma de um lugar. Eles, geralmente, são a síntese da cidade. E se você sente confiança em um táxi, pode pegar o telefone do chofer e chamá-lo sempre que for preciso corridas mais longas – é o que faço em toda parte do mundo! Citar a numeração das notas na hora de pagar é um tiro no pé, só vai fazer o taxista ficar irritado com sua desconfiança – e aí sim pode querer armar algum golpe, só de sacanagem. Minhas dicas para evitar ser enganado são simples e valem para qualquer lugar do mundo: 1) Nunca entre num táxi que se ofereça para levá-lo, prefira você mesmo escolher em qual carro vai entrar; 2) Saiba onde você quer ir, não pergunte se tal endereço é longe ou perto, se é perigoso ou tranquilo, ou seja, dê a entender que você não é um turista otário e conhece mais ou menos o mapa da cidade; 3) Trate o motorista com educação e simpatia; converse com ele sempre que possível, mas nunca pergunte sobre a cidade (“o que tem de bom para fazer à noite?”, “onde posso ouvir um tango?”, “você sabe onde posso comprar vinhos?”), prefira falar de futebol – os argentinos, em geral, amam falar de futebol – ou sobre os últimos acontecimentos do país, tipo: “Vi pela televisão a greve geral. Imagino que o trânsito tenha ficado caótico para os taxistas. Como foi isso?”; 4) Pague sempre com notas baixas; 5) Se achar que está demorando a chegar no destino, diga educadamente que está preocupado com o horário e se ainda vai demorar muito para chegar; 6) Não seja babaca: nada de entrar no táxi carregando 254 sacolas de compras, nada de tirar fotos do taxista, de fazer piadinhas, de comparar Pelé com Maradona, de ficar cantando tango para mostrar que conhece a Argentina, de falar mal do Lula (a esmagadora maioria dos argentinos ama o presidente Lula), de ficar gritando e apontando tudo o que vê pela janela. Resumindo: NÃO SEJA O TURISTA TÍPICO que todo mundo tem vontade de passar para trás. Agindo assim, não tem erro.

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  4. 24 de julho de 2012 @ 16:14 Claudia

    Olá!

    Nunca fui a Buenos Aires, pretendo ir com meu marido e um casal de amigos em novembro de 2012. Fiquei intrigada com essa história de taxi. Se eu perceber que o cara me deu uma nota falsa, o que eu faço? Adianta discutir, ameaçar que denunciarei ele? Ou é melhor ficar quieta?

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  5. 15 de julho de 2012 @ 22:19 Pati

    Lari
    Mantenha uma postura seria . De dinheiro trocado e qualquer problema chame autoridade policial. Fiz isso uma vez e tudo ficou resolvido da forma certa . O taxista ficou com medo . Provavelmente deveria ser golpista.

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  6. 8 de julho de 2012 @ 1:32 Lari

    Gente, estou indo pra buenos aires em setembro e tenho uma grande dúvida. Como vcs faziam pra voltar de bares e baladas de madrugada? Porque pelo visto pegar táxi é roubada, mas como fazer quando se tem que voltar tão tarde desses locais. Estou indo com mais duas amigas… O que vcs aconselham? Obrigadíssima!

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  7. 22 de março de 2012 @ 16:35 Joao Paulo

    Não pude deixar de dar gargalhadas conforme lia seu texto, mas não pense que estava achando graça da desgraça alheia, e sim porque parecia que alguém estava narrando pelo que passei.
    Tive momentos muitos bons em Buenos Aires, mas táxi é algo que gostaria de esquecer.
    Hoje virou história para rir e aconselhar, mas só quem sente na pele é que sabe o desânimo que dá na hora.

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  8. 6 de janeiro de 2012 @ 19:23 Leticia

    Estive em Buenos Aires do dia 23/12/2011 a 27/12/2011 e fui roubada por um golpista que se fez passar por motorista de taxi.Não confiem em motoristas de taxi, são ladrões. Trocaram 12 notas de 100 pesos que me foram tiradas de minhas mãos por 11 notas de 2 pesos e uma de 100. tudo aconteceu com o motorista gritando dizendo que a nota de 20 pesos que tinha dado a ele PARA PAGAR A CORRIDA era falsa, então quando fui procurar no porta pesos ele me arrrancou o dinheiro e devolveu trocado. Buenos Aires nunca mais…O taxi era um carro novo, preto de teto amarelo e foi na saida do Jardim Japonês. Estava eu e meu marido. Não peguem taxi na rua, somente solicitando por telefone e Radio Taxi.

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  9. 19 de dezembro de 2011 @ 16:33 Reginaldo Medeiros

    Parabéns pelas dicas, perfeitas. Estou inda em março pela terceira vez e da primeira vez apesar de avisado tive um problema com taxista. Ele simplesmente me distraiu e não ligou a taxímetro. Quando chegou no destino queria me cobrar um valor muito elevado. Discutimos e paguei um valor um pouco abaixo do que ele pediu mas acima do realmente devido. Muito cuidado pois tem muitos taxistas malandros em Buenos Aires.

    Responder

  10. 17 de outubro de 2011 @ 18:39 Luciana Almeida

    Muito boas dicas. Já estive em BS AS por cinco vezes e realmente é sempre bom ficar de olho nos taxistas…Aliás em qq lugar do mundo!
    Abraços

    Responder


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