21 coisas que eu não sabia sobre cruzeiros

Olha que situação complicada a minha: nunca (nunquinha!) pensei em fazer um cruzeiro, mas sempre fui louco para conhecer um navio da Disney. Se por um lado não me atraia em nada a ideia de passar uma semana em alto mar, por outro saber que tinha um lado da Disney da qual eu não conhecia absolutamente nada me incomodava muito.

Eis que no ano passado venci o meu medo e embarquei no meu primeiro cruzeiro acompanhado pela Claudia, uma principiante como eu, e a Luciana, a maior especialista em cruzeiros Disney que você respeita.

Saímos de Port Canaveral animadíssimos por um roteiro maravilhoso de sete dias pelo Caribe Oeste com três paradas: Cozumel no México, Grand Cayman nas Ilhas Cayman e o meu “port of call” preferido, a paradisíaca ilha da Disney nas Bahamas, Castaway Cay.

21 coisas que eu não sabia sobre cruzeiros

Não sou nenhum entendedor de cruzeiros, pelo contrário, sei que embarcar em um único cruzeiro Disney não me dá os parâmetros necessários para palpitar nesse vasto mundo dos cruzeiros, mas posso dar meus pitacos sobre o que aprendi depois de fazer a única viagem em que o deslocamento é melhor do que o destino:

Empresas possuem diferentes navios que possuem diferentes rotas

Quando decidi fazer um cruzeiro Disney eu não pensei em muita coisa além do fato de estar estar fazendo um cruzeiro Disney, mas os amigos começaram a fazer perguntas para as quais eu não tinha respostas: em qual navio vocês vão?, de que porto vocês saem?, qual rota vocês irão fazer? Só a Disney Cruise Line possui quatro navios, com mais dois encomendados para os próximos seis anos, e sai regularmente de onze portos espalhados pelo mundo, incluindo Europa e Canadá, que fazem mais de 300 viagens ao longo do ano em roteiros que podem durar mais de duas semanas.

Em um navio Disney é muito comum sair da Flórida e passear pelo Caribe, mas tem gente que atravessa o canal do Panamá e tem gente que passeia pelo mediterrâneo saindo de Barcelona.

Disney Fantasy ancorado em Castaway Cay

Navios não são todos iguais

Não mesmo: a Disney tem quatro navios em funcionamento e apesar de dois serem grandes, e dois serem menores, eles podem ser similares em vários aspectos, mas são diferentes em vários outros. Mesmo que dois navios de proporções idênticas tenham sido feitos pela mesma empresa é a companhia marítima que decide qual será a formatação dos quartos e o entretenimento de bordo. É de se esperar que cruzeiros mais caros ofereçam atrações cada vez mais inusitadas, além de doses mais caprichadas de luxo e mordomias.

Não importa o tamanho, navios balançam

Eu sempre me perguntei: será que navios balançam mesmo? E a resposta é sim, navios balançam. Tem gente que jura que cruzeiros em determinada época ou determinado mar é melhor ou pior do que outro, e eu imagino que isso tenha lá a sua dose de verdade, mas de maneira geral é sorte: como tempo bom ou tempo nublado, tem gente que pega mar calmo e tem gente que pega mar agitado durante a viagem. É bem comum ver a sorte sobrepor qualquer certeza geográfica ou climática.

Tem navio com piscina, tem navio com toboágua…

Não é todo mundo que enjoa em cruzeiro

Olha, isso está sendo dito pelo cara que enjoa até em avião: em sete dias de viagem eu não enjoei em nenhuma ocasião, nem quando senti minha cama balançar como um berço. E vale dizer que eu corri em esteira de academia todos os dias em velocidades muito maiores com as quais estou acostumado (e em alguns momentos tive que me segurar para não cair e derrubar o amiguinho na esteira ao lado), mas sem sentir nenhum mal estar em nenhum momento.

Navios não são claustrofóbicos

Não sou do tipo que curte viajar para relaxar, sou do tipo que curte viajar para desbravar, e um dos motivos para eu nunca ter feito um cruzeiro antes era o medo de me sentir preso, receava sentir vontade de sair dali e não poder fazer nada que não fosse esperar a viagem terminar. Deve existir algum tipo de depressão em alto mar, mas comigo isso não aconteceu, nem dentro da cabine que era a menor entre as que o navio oferecia, aliás, pelo contrário: era um delícia curtir as dependências do navio, internas e externas, mas era igualmente bom voltar para o quarto.

Stateroom 7033: a minha cabine no Disney Fantasy

Fazer um cruzeiro não é entediante

Mesmo que todo mundo diga que existem mil maneiras de se passar o tempo o que passou pela minha cabeça parecia muito lógico: independente do que o navio oferece, se eu quiser consigo conhecê-lo todo, de cabo a rabo, em trinta minutos – mas isso não é verdade: com quatro mil pessoas a bordo, meu navio tinha 14 decks, 66 metros de altura e 340 metros de comprimento. Mesmo que eu corresse seria impossível conhecer todo o navio em trinta minutos, até porque em algum momento eu me perderia.

É comum passar a maior parte do tempo em alto mar (e isso não é ruim)

Quando percebi que faríamos apenas três curtas paradas em sete dias de viagem bateu aquele desespero, mas depois descobri que poderiam ter cortado uma ou duas do roteiro. É só você comparar o navio a um resort em terra firme: em um resort com tudo incluso você precisa contratar passeios extras para fazer a viagem ser inesquecível?

Os vários andares do lobby principal

As paradas em terra firme geralmente são curtas

Sempre imaginei que as paradas eram mais longas, envolvendo pernoite. Não tenho dados específicos para dar, mas as companhias maiores e mais contemporâneas geralmente não pernoitam em seus portos, a não ser que isso seja um atrativo específico daquela rota. Pernoites são mais comuns em destinos europeus, em cruzeiros locais ou em portos específicos, como Sydney na Austrália.

Navios não esperam atrasados

Se as paradas são curtas eu sugiro que você fique de olho no relógio e sempre saia com o seu passaporte em mãos, mesmo que não seja necessário, assim você poderá usá-lo caso fique para trás. Navios pagam taxas altíssimas se permanecem no porto por um período maior do que o contratado, e da mesma forma que aviões não esperam passageiros atrasados, navios também não.

Disney Fantasy ancorado em Cozumel, México

Cruzeiros não são all-inclusive

A maior parte está inclusa, e talvez seja possível não encostar no cartão em nenhum momento depois do embarque, mas muita coisa possui preço, e geralmente são bebidas alcoólicas, determinadas experiências gastronômicas, internet ou até mesmo gorjetas, mas isso irá depender da companhia marítima e da rota escolhida, cada caso é um, a única coisa que posso afirmar sem medo de estar cometendo algum erro é que nenhuma empresa vai perder o oportunidade de faturar um extra com a sua viagem.

Quem trabalha em cruzeiro ama o que está fazendo…

Elas não tem a melhor vida do mundo (passageiros sempre terão mais espaço, luxo e liberdade), mas eles trabalham com contratos longos e independente da grana que recebem ninguém passaria meses servindo em alto mar se aquele trabalho não combinasse com a personalidade de cada um.

… e quem faz cruzeiro também!

É muito comum as pessoas repetirem cruzeiros. É engraçado ver como passageiros puxam papo no navio: eles dizem os nomes, se cumprimentam e depois falam quais cruzeiros fizeram, ou se aquela é a primeira, segunda ou enésima vez naquele navio. Tem gente que fala sem titubear as datas, navios e rotas: é como se você encontrasse um brasileiro andando em um shopping americano e dissesse algo como, Prazer, já fiz Miami em abril de 2012, julho de 2015 e dezembro de 2016. Pois isso é extremamente comum em cruzeiros, além de rolar uma paixão futebolística de quem defende o seu time de coração: tem gente que só viaja com determinada companhia, mas tem gente que vai além e só viaja em determinado navio, colecionando rotas. Isso é algo incentivado pelas empresas que usam programas de fidelidade com carteirinhas, pontos ou brindes específicos para quem viaja mais de uma vez.

Fazendo tour pelos bastidores do Disney Fantasy com uma guia em seu terceiro ano consecutivo a bordo

Cruzeiro não é coisa de recém-casado. E nem de velho

Não, de jeito nenhum! Cruzeiro é para quem viaja é quer descansar a mente, mas não necessariamente o corpo: você embarca e as coisas simplesmente acontecem, basta escolhê-las ou passar a maior parte do tempo usufruindo da piscina, academia, restaurantes e spa. Os cruzeiros luxuosos sempre foram muito almejados, mas cada vez mais os cruzeiros de nicho tem sido os mais procurados: eu embarquei em um cruzeiro Disney para fãs de Stars Wars, mas tem gente que embarca em cruzeiros esportivos, cruzeiros para especialistas em determinado assunto, entusiastas de determinada modalidade de comida, língua, atuação…

Internet em cruzeiro é cara

Eu acho que essa é provavelmente a única verdade absoluta quando se trata de cruzeiros: se você reclama de hotéis que cobram por 24 horas de uso, prepare-se porque depois do embarque os navios cobram é por mega navegado.

Luciana sendo presa pelos stormtroopers no Star Wars Dat at Sea do Disney Fantasy

Cruzeiros não são caros, mas podem cobrar valores altos

Os valores podem ser altos, mas não necessariamente caros: supondo que duas pessoas em uma mesma cabine paguem 4 mil dólares por um cruzeiro de sete dias pelo Caribe a gente conclui que o valor é alto, mas não é caro. Basta fazer as contas para ver que não estamos falando de nenhum absurdo: são 285 dólares por pessoa, por dia, sendo que esse valor inclui entretenimento, alimentação e hospedagem.

Comer em cruzeiro faz parte da programação

Vamos começar dizendo que assim como acontece em terra firme em cruzeiros a gente também recebe um serviço proporcional ao valor cobrado: se existem cruzeiros com valores tão diferentes, é claro que existem diferenças discrepantes entre o que eles oferecem. Sei que todo mundo espera comer bem em um cruzeiro, isso faz parte da viagem: nos meus primeiros dias de viagem senti que comer era a maior parte da experiência, mas depois conheci um casal fitness que estava em seu segundo cruzeiro e não comia absolutamente nada do cardápio que não fosse modificado para ser mais light do que o oferecido. Depois conheci celíacos, diabéticos, alérgicos e dezenas de pessoas com dezenas de restrições alimentares que fazem cruzeiros regularmente. Entre no grupo Cruzeiro da Disney, mesmo que você não esteja necessariamente planejando esse tipo de cruzeiro, para conhecer gente que não deixa de viajar por causa de suas restrições alimentares.

Comendo filé no café da manhã do Palo no Disney Fantasy

Você precisa se interessar para não dormir no ponto

Como em um resort com tudo ou quase tudo incluso as coisas acontecem independente do que você pretende fazer em sua viagem. Um mesmo lugar, seja um restaurante ou uma balada, pode oferecer um milhão de atividades diferentes ao longo do dia que não são necessariamente ligadas a razão principal da existência daquele lugar. Se você pretende usufruir do entretenimento oferecido ao máximo fique ligado na agenda do navio e converse com a tripulação: eles sempre indicam um programa diferente ou onde encontrá-los em outro momento do dia, assim você pode se guiar pelo tipo de coisa que te atrai ou pelo tripulante que você acha mais divertido (e isso é bem legal e muito comum!).

É muito legal rever as mesmas pessoas ao longo da viagem

Um navio é uma cidade flutuante que você escolheu conhecer nas suas férias. Por mais que o navio seja grande é muito comum rever as mesma pessoas ao longo da viagem, principalmente se o cruzeiro dura uma semana ou mais. Isso acontece porque muita gente tem gostos parecidos e acabam frequentando os mesmos restaurantes e usufruindo do mesmo tipo de entretenimento, por isso é tão fácil fazer novas amizades a bordo, e isso inclui a tripulação: as mesmas pessoas fazem diversos trabalhos diferentes dentro de um mesmo padrão, ou seja, você nunca vai ver um garçom cantando no palco de um espetáculo noturno, mas é comum ver o cara que cantou na noite anterior dançar na piscina na manhã seguinte.

Aula com camareiras ensinando a fazer esculturas com toalhas

Caribe é uma coisa, Bahamas é outra, mas é tudo lindo!

Posso estar assinando atestado de burrice, mas preciso dizer que sempre confundi de alguma forma Caribe e Bahamas, ou acabei misturando ambos e chamando uma coisa de outra, mas Caribe é uma região, um mar que possui diversas ilhas, por isso dizer que “passeou pelo Caribe” não diz muita coisa se você não especificar quais países visitou. Já as Bahamas é um arquipélago, um país formado por diversas ilhas. Esse mar caribenho é uma coisa inexplicável, mas se eu tivesse que tentar eu usaria uns adjetivos cafonas como “paradisíaco”, “utópico” e terminaria com “transparente”. O trecho de litoral conhecido como Seven Mile Beach em Grand Cayman é de tirar o fôlego, agora descobri que aquele pedaço de areia é um dos mais famosos do mundo. Não conheci Nassau, a capital das Bahamas, mas conheci um lugarzinho mágico que agora é território da Disney, Castaway Cay, o mar mais lindo que já conheci.

Saúde em alto mar é assunto sério

Todo tipo de perrengue é muito mais simples de ser resolvido em terra firme. Conversando com tripulantes eu descobri que nem sempre a gente recebe o cuidado médico que espera em alto mar: o comandante é soberano e a palavra final é dele no que diz respeito a necessidade de quarentena (literalmente trancado, dentro do quarto), desembarque na próxima parada ou evacuação via helicóptero com a ajuda da guarda costeira. Eu não conheci a enfermaria do navio, mas imagino que por melhor que seja ela não deve ser mais do que isso, uma enfermaria. Certifique-se estar viajando com um bom seguro de viagem, como o que uso e indico no blog, e nunca deixe de viajar com os medicamentos que você tem costume de usar, porque se um navio não é um hospital flutuante, certamente ele também não é uma farmácia.

O inesquecível mar das Bahamas na ilha da Disney, Castaway Cay

Navios são seguros

Como vocês devem ter percebido, nunca temi pela minha segurança, meus receios eram relacionados ao arrependimento, ao medo de não gostar, medo de enjoar… Só que nos meus últimos dias de viagem o navio alterou levemente a sua rota e esperou horas por um barquinho com mais de dez refugiados que estava a deriva, sem água ou comida, há mais de uma semana. O capitão comunicou que estava enviando um bote até eles e se tudo estivesse dentro do padrão iríamos resgatá-los. Esse “padrão” mencionado por ele eram métodos de segurança para garantir que aquelas pessoas não eram piratas esperando pelo melhor momento de atacar o nosso navio. Bem, não eram, mas essa hipótese sequer passou pela minha cabeça: ataques piratas, que são diferentes de ataques terroristas, tem sido cada vez menos frequentes. Nos últimos dez anos apenas seis ataques foram reconhecidos como atos de pirataria, mas geralmente isso acontece em cruzeiros que passam por áreas reconhecidamente perigosas, como a costa da Somália, e os ataques não passam de um susto. Os dois maiores riscos em um navio são incêndios e capsizing, que é o que aconteceu com o Costa Concordia, ou seja, tombar ou virar por completo.

Essas foram as 21 coisas que aprendi sobre cruzeiros, mas ainda irei dar outros pitacos sobre o assunto por aqui. Se você tiver qualquer pergunta é só mandar, prometo tentar ajudar.

Vale lembrar mais uma vez que não sou especialista em cruzeiros, sou só um entusiasta que descobriu gostar muito do assunto e está doido para bater o martelo e decidir qual será a próxima viagem!

Se você gostou desse post, ele é uma das minhas dicas no Pinterest:

Cruzeiros: 21 coisas que eu não sabia sobre viagens de navio

Outras dicas do blog para programar a sua viagem:

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Sou jornalista, trabalhei com assessoria de comunicação e fui repórter de turismo. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Sou @rodeiviagens no Insta.


'21 coisas que eu não sabia sobre cruzeiros' têm 6 comentários

  1. 26 de November de 2017 @ 1:06 Sarah

    Amei sua reportagem! Estou indo para o meu 8° cruzeiro e posso afirmar que Aammo Cruzeiros, independente da companhia ou do roteiro. Parabéns!

    Responder

  2. 23 de November de 2017 @ 22:00 Silvia

    boa noite .
    estou indo a um cruzeiro nas pequenas antilhas. martinica, st kittts, antil=gua, rep dominicana…. bom… gostaria de saber como funciona a internet oferecida pela msc. não quero pagar algo e toda hora ficar porcurando sinal!!!!!
    seria mais barato comprar ship local , como dá para fazer na europo???
    no aagaurdo
    silvia

    Responder

  3. 3 de August de 2017 @ 15:12 Priscila

    Oi! Como é o cardápio do restaurante do navio? É livre?

    Responder


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