Ratos em Nova York: minha experiência morando em Manhattan

Atualizado em 25 de janeiro de 2021 por Thiago Khoury

Quero contar sobre a experiência de ter passado uma temporada na cidade mais incrível do mundo, mas não se iluda, este não é um post inspiracional, na verdade é o oposto: irei falar sobre ratos em Nova York.

E para não ficar restrito a uma única praga, vou aproveitar e falar também sobre bedbugs em Nova York.

Prometo maneirar nos detalhes, mas você precisa ter um certo estômago para continuar este post.

Dicas essenciais para programar sua viagem a Nova York:

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Uma epidemia de ratos em Nova York

Um grande amigo meu e eu pegamos a pouca grana que tínhamos e alugamos um apartamento em Nova York. Isso deve ter uns sete ou oito anos.

O apartamento era simples, mas a localização era incrível: 15th Street esquina com 7th Avenue, em Chelsea, ao lado do metrô.

Toda a experiência nova-iorquina, do início ao fim, durou três meses, mas foram justamente os três meses de inverno, então apesar da viagem ter sido incrível ela também foi bem fria.

Nova York é a metrópole mais populosa do país. Só Manhattan tem 35 mil moradores por quilômetro quadrado. Tanta gente produz, diariamente, mais de doze toneladas de lixo.

E a matemática é muito simples: onde tem gente, tem lixo. Onde tem lixo, tem rato.

Nova York perde a guerra contra os ratos

Durante a viagem uma notícia tomou conta dos jornais locais: um rato de quase um metro de comprimento foi encontrado em uma loja de sapatos no Bronx.

Captura de rato gigante volta a assustar moradores de Nova York

Juro! Só se falava disso na cidade.

Claro que os ratos de Chelsea eram bem menores, mas, verdade seja dita, de perto nenhum é legal. Vou contar como foi a minha experiência com ratos em Nova York.

30-00

Parede em Upper West Side

Dividi um apartamento com ratos por meses

Depois de duas semanas de viagem, um ratinho esperto aproveitou um minuto de distração para passar pela porta e se esconder no closet mais próximo da entrada do apartamento.

Precisamos de quase vinte minutos para encontrá-lo. Meu amigo e eu nos certificamos de que ele estava realmente morto quando desovamos o corpo.

A causa da morte foi uma irrecuperável fratura craniana causada por um rodinho de pia.

O problema é que no dia seguinte, depois de passar a noite varrendo e limpando a casa, resolvemos arrastar a geladeira da cozinha mais uma vez e ter a certeza de que não tinha nada ali.

Eu estava relativamente tranquilo porque, na noite anterior, eu tinha a certeza de ter visto o rato entrar pela porta.

Mal sabia eu que a rato-pai esperava por nós atrás do fogão enquanto nos concentrávamos na geladeira. Agora, a ameaça, vinha de dentro.

Conversamos com a direção do condomínio para tentar encontrar alguma solução. Eu queria ter um upgrade de apartamento, mas me disseram que não havia nada melhor disponível até depois do Ano Novo.

Ficamos com a promessa de receber 250 dólares pelo transtorno e receber uma equipe especializada que tamparia o buraco encontrado embaixo da pia da cozinha.

Não fiquei satisfeito porque sei que o problema não tinha sido resolvido: além do rato-pai nunca mais ter sido visto, sei que as reclamações de um brasileiro não seriam suficientes para eliminar todos os ratos de Nova York.

Ratos em Nova York

Grafite no Soho, Manhattan

Enquanto a maior parte da população acredita haver oito ratos para cada habitante de Manhattan, o pesquisador Robert Sullivan é bem mais modesto em seu número: de acordo com ele existem apenas 256 mil ratos em Manhattan.

Existem outros artigos que falam sobre ratos em Nova York, mas eu recomendo esses dois:

–  Number of Rats in New York City

One hundred new-yorkers bitten by rats each year

Duas semanas depois… O problema piorou

Com o passar do tempo descobri que a situação era muito pior do que a que meu amigo e eu imaginávamos: em Nova York tem bicho que pega, mas também tem bicho que come.

Moradores e responsáveis pela administração do condomínio me corrigiam insistentemente: eles diziam que o que vi não eram “rats”, mas sim “mice”, que é o plural de “mouse”.

Não me importa o tamanho do bicho, o problema foi tê-los visto na cozinha!

Agora sei que um “mouse” é menor e geralmente foge de humanos, já um “rat”, que a gente chama de ratazana no Brasil, não só encara como ataca – e raramente sai do subsolo.

Quem vem para Nova York corre o sério risco de passar pelo que passei – mas vale dizer que já me hospedei em dezenas de hotéis pela cidade sem nunca ter tido uma experiência como essa.

Manhattan está infestada por ratos, existe mais lixo do que a ilha comporta e a estrutura dos prédios mais antigos não possuem tijolos entre as paredes, apenas tacos de madeira, papel e steel wool, que nada mais é do que Bombril.

Bombril? Sim, Bombril.

Quando a primeira equipe exterminadora passou pelo meu apartamento e tampou os buracos com lã de aço eu encarei aquilo como desaforo pessoal – ledo engano: Bombril é o único material imune aos seus dentinhos poderosos.

Bedbug em Nova York

Os sacos de lixo não me deixam mentir: roupa de cama infestada é roupa de cama perdida!

Bedbug é a maior praga de Nova York

Uma vizinha nossa jurou que prefere uma casa infestada por ratos do que um quarto com um único bedbug na cama.

Para quem não conhece, bedbug é o mesmo que percevejo: seres mínimos, porém visíveis a olho nu, que se parecem com pequenas baratinhas e se alimentam de sangue humano.

Nos hotéis esses malditos ficam nos lençóis da cama e podem fazer verdadeiros estragos com a reputação de qualquer rede hoteleira.

Quando encontrados, quartos precisam sem lacrados e esterilizados por períodos de 48 horas. Geralmente todo o andar é interditado e os lençóis, colchas e travesseiros são queimados.

Pesquisando no Google você percebe que os nova-iorquinos convivem com os ratos de uma forma quase trivial: a infestação de ratos é um mal que pode ou não atingir você, mas os percevejos são constantemente perseguidos e foram alçados ao patamar de epidemia social.

Existe um manual oficial que ajuda tanto hospedes como moradores a se livrarem dessa praga, mas vou dar algumas dicas pessoais de como se precaver de bedbugs.

Dicas para evitar bedbugs em Nova York:

  • Nunca deite em uma cama de hotel sem antes dar uma boa olhada nos lençóis e travesseiros. Você pode checar também tomadas, quinas e armários.
  • Nunca deixe roupas espalhadas pelo chão para não correr o risco de levá-los com você.
  • Compre em qualquer Duane (provavelmente na prateleira das miniaturas de viagem) um spray repelente que é usado tanto na cama quanto no carpete do quarto. Se funciona ou não é impossível dizer, mas o seguro morreu de velho.

Se de qualquer forma você infelizmente for picado, ligue para 311 e preste uma queixa!

Eles irão auxiliá-lo nos próximos passos (em inglês, é claro), mas é essencial ter um bom seguro de saúde, até porque você precisa se consultar com um médico antes de tratar os sintomas da coceira insuportável causada pelas mordidas de percevejos.

E faça isso cedo porque ela se alastra pelo corpo!

Aff, cansei. Prometo voltar com assuntos mais agradáveis depois.

7 comentários sobre “Ratos em Nova York: minha experiência morando em Manhattan

  1. Um ratinho entrou no meu quarto vindo da lavanderia do hotel. Sabe qual hotel? SHERATON!!!!! Falamos com o gerente e a resposta: NY tem 8 ratos para cada habitante. E fim!

  2. Gente! Nunca fui mto de EUA, sempre preferi Europa( onde ja estive 4 vezes)…agora surgiu a oportunidade de conhecer NY, pois um amigo vai me emprestar um apartamento em Manhattan por um mes em janeiro…Mas, confesso q to morrendo de medo e nojo ate de comer por la…eu q sempre gostei de experimentar comida de rua…fiquei horrorizada! to precisando de incentivo para continuar com meus planos de conhecer NY…siceramente fiquei desanimada! tenho panico de ratos e nao consigo nem olhar em filmes…HELP!

  3. Thiago,
    Aqui em Manhattan mais dia menos dia vai aparecer um no apartamento. Aqui em casa a única ratoeira que funciona são umas de plástico que o rato entra e não consegue sair. Tem em qualquer bodega. Agora tapamos todos os buracos do apartamento e nunca mais tivemos probelmas.

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