“I don’t want to stay here, I want to go back to Bahia”, toca o berimbau

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Esse é um blog de viagens internacionais e eu não pretendo mudar de nicho, mas como também é blog pessoal me sinto na obrigação de dizer que a Bahia é de todos os santos, inclusive os mais brancos como eu, que passam protetor 30 no corpo e 50 no rosto.

Depois de algum tempo voltei à Bahia em uma viagem com outros onze amigos a Itacaré, um lugar incrível que além do mar mais gostoso e morno que conheço, oferece também uma viagem gastronômica surpreendente.

Oxi, me passa o dendê, passa.

Minha primeira viagem a Itacaré, Bahia

Com quem fui

Foi com meus bros, e broas. Infelizmente decidi ir de última hora e acabei dividindo uma segunda pousada com meu amigo Capim, mas a maior parte dos amigos ficaram juntos em uma pousada bem melhor do que a nossa. Éramos doze e na maior parte das vezes andávamos todos juntos.

Geralmente não cabemos em uma calçada só.

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Esses somos nós em nosso bangalô em Itacarézinho. Falta a Dé, que bateu a foto, mas ela aparece logo mais

Onde fiquei em Itacaré

Fiquei em um lugar muito simples e simpático chamado Recanto das Conchas. Simples e honesto, do primo de um amigo meu. Você conhece Itacaré? Itacaré nada mais é do que uma vila com ruas de terra batida onde você geralmente escolhe se hospedar entre os dois lugares mais acessíveis de lá: ou na região da praia da Concha, ou nos arredores da Pituba, uma das melhores ruas gastronômicas da Bahia.

Recanto é uma das pousadas mais distantes da região da praia, além de ser muito, muito simples. Tirando o excesso de pernilongos não tive problemas com as instalações de lá, na verdade, fiquei feliz por ter recebido um produto incrível pelo valor cobrado.

Bem, eu gostaria de ter ficado com os meninos na Pousada Maria Farinha, que não é tão distante nem da Pituba, nem do mar. Ela é surpreendentemente charmosa, tem um espaço de convívio delicioso e um café da manhã que é quase um banquete. Preciso agradecer o pessoal de lá que foi muito simpático por deixar eu usar as instalações da pousada mesmo não sendo hóspede.

Essa Maria Farinha é bem charmosa, heim

Duas amigas ficaram na Pousada Burundanga, que é a mais chique e cara das três. O quarto é indescritível, parece quarto de pousada de Fernando de Noronha que cobra em euro, e olha que nunca estive em Fernando de Noronha. Tudo de muito bom gosto, tem até chá da tarde incluído na diária.

Eu não ficaria nas opções da Pituba, apesar de ter achado um ótimo passeio. Não sei se seria legal dormir no olho do furacão. E outra: se você é jovem e não tem dificuldade de locomoção, nada é muito longe, a maior caminhada que você fará, em um ritmo muito lento, será de 15 ou 20 minutos.

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E o café da manhã é uma mistura farta de almoço, lanche e sobremesa

Onde comi em Itacaré

Comi nos restaurantes da Pituba, mas essa é uma experiência que você deve ter por conta própria: entre nos lugares que te conquistarem pelo clima e pela fachada, não tente seguir os passos de quem dá o caminho certo em dicas de internet. O que posso dizer é que o restaurante mais famoso de lá é o Manga Rosa, e o arroz com queijo e camarão é realmente muito bom.

Sabe onde fui mais feliz e voltei mais vezes? No crepe do Tio Gu. O atendimento é incrível (um beijo, Carol) e só de crepe são mais de 50 opções. Na Brasileira tomei o melhor suco natural que já experimentei na vida: uvas verdes com pitanga, não deixe de experimentar.

E não deixe de seguir a Pituba até o fim, você irá chegar no que eles chamam de “segundo calçadão”. Comi em dois restaurantes inesquecíveis, sendo que o atendimento do primeiro é quase amador de tão constrangedor: Beco das Flores e Nuuh. No primeiro pedi uma salada com camarões no gengibre, no segundo risoto de peras. Foram os dois melhores pratos da viagem.

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Chora no nosso bangalô no Restaurante Itacarézinho. Já comprometi o orçamento de fevereiro

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Praias urbanas em Itacaré

Fui logo descobrindo que Itacaré possui praias urbanas e na estrada, que são as melhores. Das urbanas conheci primeiro a praia da Concha, que não é das mais legais. Durante a maior parte do ano, e a maior parte do dia, a maré não permite com que você tome sol na areia, as ondas quebram logo na entrada dos restaurantes, que são chamados de “cabanas”. Em sete dias de passeios essas cabanas foram responsáveis pelos piores pratos da viagem.

Depois da Concha existem outras praias urbanas incríveis que começam a dar o tom do quão surpreendente Itacaré pode ser: por ordem de chegada, para que vem caminhando da Pituba, temos Resende, Tiririca, Costa e Ribeira. Você não só pode como deve conhecer todas elas, que ficam lado a lado em distâncias não muito longas. Caminhe pela praia, passando por trilhas e rochas, ou pela rua de paralelepípedos.

Eu aconselho a primeira maneira ao menos uma vez durante a sua viagem.

Depois da Ribeira tem a famosa “trilha da Prainha“, uns bons 30 minutos de caminhada que levam a uma praia muito charmosa e sem estrutura alguma. Também vale conhecer.

Muita gente diz que você precisa de um guia, que ficam aos montes na entrada da trilha procurando por clientes. Eles supostamente conhecem o caminho e afastam trombadinhas, mas eu não acredito que você precise de um: a trilha é muito movimentada e as possibilidades de você se perder são mínimas. Lembre-se: na dúvida, pegue sempre o caminho da direita.

Ou espere o próximo grupo chegar e vá com eles.

Bem, supondo que você almoce ou jante na praia da Concha ao menos uma vez, é possível fazer Resende com Tiririca em um dia, Ribeira em outro e Prainha em um terceiro. Praia da Costa é muito pequena e não tem quase nada, a gente geralmente só passa por ela.

Esse é o Marquim tendo um surto de carinho. Depois o objetivo era tirar uma foto com pinta de patrão, mas o infeliz bateu a foto antes da hora

Foto de patrão: tentativa número dois. Depois Marquim e Nilson tentando… Bem, esquece

Praias na estrada de Itacaré

É possível chegar caminhando em todas as praias urbanas, mas para as praias mais distantes você precisará contratar algum tipo de transporte. Muita gente aluga carro assim que chega pelo aeroporto de Ilhéus, mas para mim não fez falta alguma.

Uma opção é contratar “passeios” em sua pousada ou caminhando pelas agências da Pituba. Meu conselho com relação as agências que oferecem passeios, que muita vezes se resume ao transporte de ida e volta: mire nas maiores e mais bonitas. Essas em fundo de quintal provavelmente irão te deixar na mão, como a JRC Turismo fez com os meus amigos e eu.

Existe uma agência em frente ao Favela, o único bar jovem e com ares de baladinha por lá. Eles parecem levar o trabalho a sério.

Quer saber qual a melhor forma de fazer um passeio? Contratar um taxista para levar e buscar no horário combinado. Essa é a forma mais prática, segura e confortável. Tenho o contato do Reginaldo para passar, assim que meu amigo Lucas mandar prometo que coloco aqui.

Não demora, Lucas.

Update: opa, ele mandou: Reginaldo, (73) 9996.2595.

Carioca e Luzana na melhor foto de surf de todos os tempos! Lucas parecendo ser charmoso, mas na verdade era cansaço mesmo. Essas fotos são em Engenhoca

Bem, continuando: conheci Jeribucaçu, uma mistura imperdível de rio e mar. Prepare-se para encarar uma trilha bem íngreme para chegar até ela, mas vale cada panturrilha dolorida na manhã seguinte. Os bancos de areia no mar fazem com que você ande com a água na canela por uns bons 100 metros em direção ao fundo do mar.

E o rio que desagua nele fica lindo no início do dia, depois ele vai recuando e leva o sol com ele.

Não deixe de comer em Jeribucaçu: tem uma barraca que oferece um peixe frito delicioso por mais ou menos R$ 50 por pessoa, incluindo as porções generosas de carboidrato como acompanhamento. É bem caseiro, parece farofa de família mineira em praia do Espírito Santo.

Das praias mais distantes a que mais gostei foi Itacarézinho, mas esse passeio deve incluir o famoso Restaurante Itacarézinho, sem ele a praia não tem graça alguma. Faça a sua reserva para garantir uma mesa ou, dependendo do número de amigos, um bangalô.

Nessa temporada eles estavam cobrando R$ 100 de consumação mínima por pessoa nos bangalôs, mas cobravam R$ 50 por pessoa nas mesas.

Itacarézinho é um passeio inesquecível, mas sem o restaurante você ficará como cachorro vendo frango assado girar: o paraíso estará muito perto, mas muito distante. Coma sem moderação: os pratos são deliciosos, o atendimento é incrível e o clima do lugar é diferente de tudo que eu imaginava.

“Traz a bebida que pisca”, diriam as Popozudas.

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Descobri que se tem uma coisa em que sou realmente ruim é o surf

Por último conheci o tal Buda Beach, o mesmo de Búzios, na praia de Taipu de Fora na Península de Maraú. O lugar é incrível, valeu a ida, mas não sei se é um passeio indispensável: como são cerca de 90 minutos de estrada de terra onde seu pescoço vira uma bola de tênis, raramente os taxistas te levam até lá.

O lugar é legal, inclusive o restaurante Buda Beach, mas ele não é nem de longe tão bacana como o Restaurante Itacarézinho, que dirá no atendimento. Não direi o problema que tive relacionado a atendimento ao cliente que é para não desanimá-lo, porque o lugar é sim interessante – mas, diferente de Itacarézinho, não acredito que irei voltar outra vez.

Quase me esqueço: tive aulas de surf com o Thor

Thor é uma peça raríssima: quarenta e poucos anos, surfista profissional e empreendedor dono de uma fábrica de pranchas, uma loja de roupas e uma escola de surf. Ele também aluga prancha para que manja do assunto e não precisa de instrução.

Thor nos levou até Engenhoca, uma praia que você não precisa conhecer se o seu objetivo não for o surf. Em uma aula consegui ficar de pé e pegar duas ou três ondinhas. Paguei R$ 100 pela aula que incluía prancha, dois instrutores e o transporte de ida e volta – aliás, ele também oferece translado para as praias, é só procurar pelo Thor em uma de suas duas lojas na Pituba.

Só não se esqueça de preparar os braços: você irá precisar deles para subir e descer a trilha da Engenhoca carregando a sua prancha.

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Nós sendo lindos

Se eu curti minhas férias?

Curti muito. Foi estranho viajar para um lugar onde eu não precisava fotografar o banheiro do hotel ou os pratos do restaurante. Itacaré não tem vida noturna alguma tirando os drinks do Favela, então é uma viagem predominantemente diurna. Ou você encara o forró despretensioso, e vazio, do Mar e Mel, pertinho da Pousada Burundanga. O engraçado é que ele só começa às nove da noite e termina três horas depois.

O povo baiano é tranquilo e solícito, nunca vi tanta gente que te leva até o lugar quando tudo que você quer é saber que caminho pegar.

Bahia é sempre um bom negócio. Itacaré é uma delícia. Diurna, gorda e com protetor 30 no corpo, 50 no rosto.

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Se quiser receber os últimos posts do blog e cupons de descontos exclusivos no WhatsApp é só adicionar (31) 98263.3937 aos seus contatos e mandar um "alô" para ativar o robô do blog!


'“I don’t want to stay here, I want to go back to Bahia”, toca o berimbau' têm 2 comentários

  1. 16 de novembro de 2017 @ 19:50 Transfer Buzios

    Lindas fotos quando quiser visitar nossa linda cidade novamente entre em contato conosco ;-)

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  2. 15 de maio de 2014 @ 18:43 Rogério Carvalho

    Muito legal sua experiência em Itacaré. Um bom destino para ir.
    Experimente conhecer também Bom Jesus da Lapa, cidade que abriga uma das maravilhas do Brasil: a gruta do Bom Jesus. Pela cidade circulam mais de 1,5 milhões de pessoas por ano para participar da romaria, pagar (ou fazer) promessas, entre outras coisas. Se pintar a curiosidade de conhecer a cidade, não deixe de visitar essa página especial contendo todos os hotéis e pousadas de Bom Jesus da Lapa: http://centraldalapa.com/cat/hoteis-moteis-pousadas-dormitorios-bom-jesus-da-lapa/

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