Fugindo de um furacão na Flórida: minha experiência com o Irma

Os assinantes do blog (aproveite e assine você também) receberam um e-mail escrito por mim poucos dias antes da minha roadtrip pela Flórida começar onde eu dizia que mostraria tudo nas redes sociais, “menos o Harvey, o maior furacão de todos os tempos. Esse Nossa Senhora dos Acessos promete deixar bem longe da costa da Flórida”.

Realmente o Harvey poupou a Flórida, mas por onde passou ele fez um senhor estrago: Houston no Texas ficou embaixo d’água, pelo menos 70 pessoas morreram e mais de um milhão ficaram desabrigadas. Os danos totais podem ultrapassar 200 bilhões de dólares:

Quando viajei o Irma era uma tempestade tropical que virou o maior furacão de todos os tempos ao passar por Cuba com uma força impressionante que beirava 300 km por hora. Isso fez com que o mar avançasse, inundasse ruas e derrubasse prédios.

Para completar, Irma conseguiu a proeza de se manter como furacão de categoria 5 por três dias inteiros. Nos Estados Unidos durante muito tempo (se é que podemos usar “muito” aqui, já que nenhuma previsão permanecia a mesma por mais de um dia) acreditava-se que o Irma iria entrar na parte continental do país por Miami, mas com sua característica imprevisibilidade ele acabou se desviando e entrou pela cidade de Naples, na costa oeste da Flórida.

Só que o diâmetro do Irma em muitos momentos chegou a 500 km de cumprimento, o que é maior do que a largura da península da Flórida, então o olho do furacão já não era a sua única ameaça – isso foi o que a rebaba do Irma causou em Miami:

Com ventos de quase 300 km por hora, Irma é oficialmente o maior furacão já registrado, superando o Andrew de 1992 e o Katrina de 2005. Eu só não estive lá durante a sua passagem porque peguei a única oportunidade que surgiu de fugir dali.

Vou mostrar o que me motivou a encerrar minha viagem uma semana antes do previsto na esperança de ajudar as pessoas a tomarem decisões parecidas no futuro. Encarar ou fugir de um furacão na Flórida ou nas ilhas do Caribe é uma decisão muito pessoal que deve ser respeitada e tomada o quanto antes, o mais rápido possível.

Fugindo de um furacão na Flórida: minha experiência com o Irma

Vou começar contextualizado a viagem e a aproximação do Irma da costa dos Estados Unidos:

(1) No dia 6 de setembro eu estava em Orlando e seguiria viagem para a costa oeste da Flórida através de Tampa e Clearwater. Só que no dia 6, quarta-feira, não existia nenhuma certeza (nem “certeza meteorológica”, que é aquela certeza que muda de hora em hora) a respeito do destino do Irma: ele poderia entrar por ambas as costas da Flórida ou pelo meio, mas isso a gente só saberia, com sorte, no dia 8 ou 9.

(2) Eu não podia seguir viagem sendo que eram enormes as probabilidades de encontrá-lo no caminho. Orlando era o lugar mais seguro para estar: eu estava no meio do Estado, protegido por uma hora de distância do mar mais próximo. Eu tinha duas opções: ficar em Orlando e esperar que ele passasse ou subir sem rumo em direção ao norte.

(3) Eu não queria subir em direção ao norte: eu estava sozinho, não tinha nenhum planejamento de viagem pelo estado da Georgia e aquela mistura de precaução com pânico já estava se instaurando em Orlando – já não tinha água nos supermercados e os primeiros postos de gasolina apareciam fechados, ou seja, seria uma viagem de última hora. Olha esse vídeo que fiz no SuperTarget de Kissimmee na manhã do dia 5 de setembro:

(4) Para piorar, no dia 6, quarta, o NHC, o National Hurricane Center (a única fonte de informação zero sensacionalista em caso de furacão nos Estados Unidos) tinha acabado de ser atualizado mostrando o impacto do Irma em quase todo o estado da Georgia.

(5) Por último, meu voo sairia de Miami na manhã do dia 12, terça-feira. Claro que em situações normais essa janela de tempo é mais do que o bastante para sair de Orlando e chegar em Miami, o problema é que eu provavelmente teria que desviar dos vários percalços que um furacão como esse pode causar, como toque de recolher, enchentes e falta de energia, só para citar alguns.

Resumindo, só me restavam duas opções: (a) comprar mantimentos e itens de sobrevivência para assar o resto da minha viagem ali, na casa que aluguei em Orlando, esperando o toque de recolher chegar ao fim no dia 11 para seguir direto para o aeroporto de Miami e embarcar no meu voo diurno no dia 12, ou (b) fugir para o norte sabendo que o quanto mais longe eu fosse mais difícil seria para voltar para Miami a tempo de pegar meu voo no dia 12.

Eu teria escolhido a opção (a), até porque eu estava em uma casa segura e seria loucura começar a dirigir sem rumo para o norte e ainda correr o risco de pegar um daqueles engarrafamentos inéditos que foram registrados:

Segundo porque aconteceu o que todo mundo sabia, mesmo que não houvesse confirmação: é claro que o aeroporto iria fechar e é claro que meu voo não iria sair, a gente não precisa (e nem deve) esperar que tomem decisões por nós, antecipe-se e opte pelo mais seguro no menor tempo possível.

Caso o aeroporto de Miami não fechasse e meu voo fosse confirmado, como eu chegaria a tempo de pegar um voo diurno em Miami no dia 12 sendo que no dia 11 o toque de recolher ainda estava em andamento em várias regiões de Orlando e parte da Flórida estava alagada?

Claro que o aeroporto fechou e meu voo foi cancelado. Eu teria ficado em Miami pelo menos até o dia 18, que foi quando me realocaram pela primeira vez.

Entre ficar uma semana a mais nessas condições (e por “nessas” entenda sem nenhum tipo de certeza e provavelmente arcando com meus próprios custos) ou ficar uma semana a menos, optei por sair correndo de Orlando e embarcar em um voo no aeroporto de Tampa em pouco menos de cinco horas.

Todo mundo falava “os voos estão lotados ou muito caros, não há o que fazer”, mas eu tentei e encontrei o único voo (saindo em pouco mais de cinco horas!) por um valor que eu pudesse pagar (todos os outros voos oscilavam entre 16 e 20 mil reais na classe econômica).

Acompanhei a chegada ao furacão Irma de casa, no Brasil. Foi uma decisão segura tomada no menor tempo possível, se eu deixasse para decidir o que fazer um dia depois, no dia 7 de setembro, essa possibilidade teria me custado 20 mil reais, o que provavelmente teria me obrigado a ficar em Orlando a espera do dia 12 e posteriormente do dia 18.

Preciso agradecer o apoio irrestrito da Neffen House, a casa que aluguei em Orlando, a ajuda amiga da Luciana do Amo Cruzeiro Disney e a todo mundo que demonstrou apoio e mandou energia positiva nas redes sociais. Muito obrigado!

Lembrando que se você se encontra em uma situação como essa, fugindo de furacão na Flórida ou em qualquer outro lugar durante uma viagem, o mais importante é tomar as decisões no menor tempo possível: mantenha o tanque do carro cheio e compre o essencial para sobreviver por pelo menos três dias. Coloque seus documentos dentro de um saquinho plástico selado e confirme se o seu chip de celular ficará ativo por pelo menos três dias a mais pós passagem do furacão. Não se esqueça de aumentar a cobertura do seu seguro de viagem, isso é essencial.

Levante todas as possibilidades o quanto antes porque a medida que o tempo passa o leque de opções encolhe e sua capacidade de raciocinar diminui consideravelmente, acredite.

Jamais sinta-se mal caso você decida encurtar a sua viagem. Com certeza essa foi uma sábia decisão!

Outras dicas do blog para programar a sua viagem:

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Sou jornalista, trabalhei com assessoria de comunicação e fui repórter de turismo. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Sou @rodeiviagens no Insta.


'Fugindo de um furacão na Flórida: minha experiência com o Irma' tem 1 comentário

  1. 14 de janeiro de 2018 @ 12:24 Tour Neffen - Rodei Viagens - Neffen House

    […] esta experiência, e passamos no teste. Inclusive em meio ao maior furação dos últimos tempos. Aqui ele relato como foi enfrentar o […]

    Responder


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