Para falar de furacão na Flórida eu não posso deixar de lembrar da minha roadtrip onde prometi que mostraria tudo pelas redes sociais, “exceto o Harvey, o maior furacão de todos os tempos: esse Nossa Senhora dos Acessos promete deixar bem longe da costa da Flórida”.
Realmente o Harvey poupou a Flórida, mas por onde passou fez um senhor estrago: Houston, no Texas, ficou embaixo d’água. Pelo menos 70 pessoas morreram e mais de um milhão ficaram desabrigadas.
Os danos totais podem ultrapassar 200 bilhões de dólares:
Tabela de conteúdos
O maior furacão da Flórida de todos os tempos
Não existe uma lista com os maiores, ou mais destruidores, furacões de todos os tempos porque isso não é e nem pode se tornar uma competição, mas existem tempestades que trouxeram furacões que apareceram em telejornais de todo o mundo.
Para entender o tamanho e a grandiosidade do Irma, basta lembrar que antes dele só o Andrew, em agosto de 1992, pode ser comparado em tamanho, força e capacidade de destruição.
Quando viajei o Irma era só uma tempestade tropical que virou o maior furacão de todos os tempos ao passar por Cuba com uma força impressionante que beirava 300 km por hora.
Isso fez com que o mar avançasse, inundasse ruas e derrubasse prédios.
Para completar, o Irma conseguiu a proeza de se manter como furacão de categoria 5 por três dias inteiros.
Isso significa que por 72 horas ele foi igualmente forte, grande e rápido, como se tivesse acabado de ser formado.
Durante muito tempo (se é que podemos usar “muito” aqui, já que nenhuma previsão permanecia a mesma por mais de um dia) acreditava-se que o Irma iria entrar na parte continental do país por Miami, mas com sua característica imprevisibilidade ele acabou se desviando e entrou pela cidade de Naples, na costa oeste da Flórida.
Só que o diâmetro do Irma em muitos momentos chegou a 500 km de cumprimento, o que é maior do que a largura da península da Flórida.
Por isso o “olho” do furacão já não era a sua única ameaça: para não causar nenhum estrago, ele teria que passar a mais de 500 km de distância da Flórida.
Para se ter uma ideia da potência de um furacão tão largo, isso foi o que Irma causou em Miami quando ele passou a quilômetros de distância de lá:
Vou mostrar o que me motivou a encerrar minha viagem uma semana antes do previsto na esperança de ajudar as pessoas a tomarem decisões parecidas no futuro.
Encarar ou fugir de um furacão na Flórida ou nas ilhas do Caribe é uma decisão muito pessoal que deve ser respeitada e tomada o quanto antes, o mais rápido possível.
Como foi enfrentar um furacão na Flórida
Vou começar contextualizado a viagem e a aproximação do Irma da costa dos Estados Unidos:
(1) No dia 6 de setembro de 2017 eu estava em Orlando e seguiria viagem para a costa oeste da Flórida através de Tampa e Clearwater.
Só que no dia 6, quarta-feira, não existia nenhuma certeza (nem “certeza meteorológica”, que é aquela certeza que muda de hora em hora) a respeito do destino do Irma: ele poderia entrar por ambas as costas da Flórida ou pelo meio, mas isso a gente só saberia, com sorte, na noite do dia 8 de setembro ou na manhã do dia 9.
(2) Eu não podia seguir viagem sendo que eram enormes as probabilidades de encontrá-lo no caminho. Orlando era o lugar mais seguro para estar: eu estava no meio do Estado, protegido por uma hora de distância do mar mais próximo.
Por isso, eu tinha duas opções: ficar em Orlando e esperar que ele passasse ou subir sem rumo em direção ao norte.
(3) Eu não queria subir em direção ao norte: eu estava sozinho, não tinha nenhum planejamento de viagem pelo estado da Georgia e aquela mistura de precaução com pânico já estava começando a tomar conta de Orlando – já não tinha água nos supermercados e os primeiros postos de gasolina apareciam fechados, ou seja, seria uma viagem de última hora.
Olha esse vídeo que fiz no SuperTarget de Kissimmee na manhã do dia 5 de setembro:
(4) Para piorar, no dia 6, quarta, o NHC, o National Hurricane Center (a única fonte de informação zero sensacionalista em caso de furacão nos Estados Unidos) tinha acabado de ser atualizado mostrando o impacto do Irma em quase todo o estado da Georgia.
(5) Por último, meu voo sairia de Miami na manhã do dia 12, terça-feira.
Claro que em situações normais essa janela de tempo é mais do que o bastante para sair de Orlando e chegar em Miami, o problema é que eu provavelmente teria que desviar dos vários percalços que um furacão como esse pode causar: como toque de recolher, enchentes e falta de energia, só para citar alguns.
Resumindo, só me restavam duas opções:
- comprar mantimentos e itens de sobrevivência para passar o resto da minha viagem esperando o toque de recolher chegar ao fim no dia 11 (e depois seguir direto para o aeroporto de Miami e embarcar no meu voo diurno no dia 12, caso ele não fosse cancelado, é claro), ou
- fugir para o norte sabendo que o quanto mais longe eu fosse mais difícil seria para voltar para Miami a tempo de pegar meu voo no dia 12.
Eu teria escolhido a primeira opção, até porque eu estava em uma casa segura e seria loucura começar a dirigir sem rumo para o norte e ainda correr o risco de pegar um daqueles engarrafamentos inéditos que foram registrados:
Segundo porque aconteceu o que todo mundo sabia, mesmo que não houvesse confirmação: é claro que o aeroporto iria fechar e é claro que meu voo não iria sair, a gente não precisa (e nem deve) esperar que tomem decisões por nós, antecipe-se e opte pelo mais seguro no menor tempo possível.
Caso o aeroporto de Miami não fechasse, e por um milagre o meu voo fosse confirmado, como eu chegaria a tempo de pegar um voo diurno em Miami no dia 12 sendo que no dia 11 o toque de recolher ainda estava em andamento e parte da Flórida estava alagada?
Claro que o aeroporto fechou e meu voo foi cancelado. Eu teria ficado em Miami pelo menos até o dia 18, que foi quando me realocaram pela primeira vez.
Entre ficar uma semana a mais nessas condições (e por “nessas” entenda sem nenhum tipo de certeza e provavelmente arcando com meus próprios custos) ou ficar uma semana a menos, optei por sair de Orlando e embarcar em um voo no aeroporto de Tampa em pouco menos de cinco horas.
Todo mundo falava “os voos estão lotados ou muito caros, não há o que fazer”, mas eu tentei e encontrei o único voo (saindo em pouco mais de cinco horas!) por um valor que eu pudesse pagar – todos os voos oscilavam entre 16 e 20 mil reais na classe econômica, mas eu consegui pagar 4 mil no meu.
Acompanhei a chegada ao furacão Irma de casa, no Brasil.
Foi uma decisão segura tomada no menor tempo possível. Se eu deixasse para decidir o que fazer um dia depois, no dia 7 de setembro, essa possibilidade teria me custado 20 mil reais, o que provavelmente teria me obrigado a ficar em Orlando a espera do dia 12 e posteriormente do dia 18.
Preciso agradecer o apoio irrestrito da Neffen House, a casa que aluguei em Orlando, a ajuda amiga da Luciana do Amo Cruzeiro Disney e a todo mundo que demonstrou apoio e mandou energia positiva nas redes sociais.
Muito obrigado!
Furacão na Flórida: ficar ou voltar para o Brasil?
Essa é uma decisão extremamente pessoal, mas você precisa tomá-la baseando-se em informações concretas e não em sensacionalismo e desespero que as pessoas adoram incutir nos outros.
Primeiro, tenha informações concretas. O National Hurricane Center solta dois boletins diários e essa, e somente essa, deve ser a sua fonte de informação.
Você pode, e deve, se programar baseado-se no que eles dizem: se o furacão chega amanhã às oito da manhã, hoje às oito da noite você pode pegar um avião tranquilamente, sem medo e sem pensar duas vezes.
Se as coisas mudarem de última hora isso não significa que eles erraram, significa que mesmo com muito cálculo e probabilidade as coisas podem acontecer de outra forma porque um furacão trata-se de vento, e vento a gente não controla.
Fique tranquilo: nenhum avião levanta voo se não for seguro.
Segundo, analise a real segurança de onde você está. Quem alugou uma casa no nível da rua está mais propenso a passar perrengue do que quem está em um quarto de hotel no vigésimo andar de um prédio.
Quem está em hotel, principalmente quando é um hotel vertical, geralmente pode se preocupar menos – eles oferecem infraestrutura suficiente para minimizar o perrengue de seus hóspedes.
Terceiro, na maior parte das vezes o maior problema não é o furacão e si, mas o que ele pode causar (bem, desde que você não esteja em uma casa de frente para o mar na cidade onde ele faz o landfall, ou seja, na cidade pela qual ele entra no continente).*
* bem, nesse caso não tem nem o que pensar, saia o mais rápido possível!
Quem está em Orlando raramente sofre porque o furacão passou por lá, sofre pelas consequências dele ter passado perto dali: é muito comum as ruas ficarem alagadas e haver corte de água, energia e sinal de internet.
Quarto, programe-se para ficar mais do que o previsto. Milhares de voos são cancelados quando um furacão se aproxima, e mesmo que isso não afete o seu voo propriamente dito, afetar todos os outros faz com que isso invariavelmente afete o seu também.
Como preparar-se para um furacão na Flórida
Se você está fugindo de um furacão ou enfrentando um furacão na Flórida, o mais importante é tomar as decisões no menor tempo possível.
Mantenha o tanque do carro cheio e compre o essencial para sobreviver por pelo menos três dias (água, comida que não requer preparo no microondas e nem armazenamento na geladeira, carregador portátil carregado, lanternas e algo para passar o tempo).
Coloque seus documentos dentro de um saquinho plástico selado e confirme se o seu chip de celular ficará ativo por pelo menos três dias após passagem do furacão.
Se você comprou o seu chip através do blog, entre em contato comigo para que eu me certifique que você não ficará sem comunicação caso seja necessário prolongar a sua viagem.
Não se esqueça de prolongar a cobertura do seu seguro de viagem, caso necessário. Isso é essencial.
Levante todas as possibilidades o quanto antes porque a medida que o tempo passa o leque de opções encolhe e as possibilidades ficam todas mais caras.
Jamais sinta-se mal caso você decida encurtar a sua viagem. Com certeza essa foi uma sábia decisão!



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