Diário de bordo: mantenha a classe

É engraçado como a gente muda de hemisfério, de continente, muda de moeda e de fuso, só não muda de posição.

Deveria existir algum tipo de sindicato para quem viaja de econômica, alguém que lutasse pelos nossos direitos, já que a gente não tem muito espaço para isso – bem, exceto os que pegam saída de emergência, mas eles estão em menor número, seria difícil articular uma mobilização.

Por outro lado, são essas pessoas que dividem a classe dos que viajam aqui atrás: são dois, três ou quatro assentos que colocam duzentas pessoas em guerra pelo direito de esticar as pernas, um privilégio que se esconde atrás de uma terrível escolha – esticar as pernas ou reclinar a poltrona? Na emergência é impossível escolher os dois.

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Agora que rolou um bate-papo com o italiano da 27D, para diminuir o desconforto e amenizar o sacrifício, ele e eu sugerimos as seguintes modificações:

Introduziríamos o embarque na parte de trás do avião, porque não é legal fazer com que a gente entre pela executiva: é como ser obrigado a atravessar a cozinha do Fasano antes de colocar o congelado no forno.

Aumentaríamos também o espaço entre as poltronas da frente e de trás, porque para um claustrofóbico é complicado roçar o joelho na bandeja da poltrona vizinha sem se sentir mal com isso.

Tiraríamos também o guia de segurança do bolsão da frente, porque não faz sentido descobrir que em caso de emergência é aconselhável inclinar-se até os joelhos e abraçar as pernas.

Outra coisa complicada é o número de encostos para braço: custa colocar dois por assento? Quem está nas extremidades certamente terá um encosto só seu, mas e quem fica no meio, tem direito a dois? Como estou escrevendo, 27D acaba de me ceder o seu.

O esquema de milhagem deveria ser através de meritocracia, porque depois de tanto sacrifício não é justo levar um terço das milhas de quem viaja de executiva.

Para você que está aí na frente, além de parte das minhas milhas, dou também o meu quindim – aqui atrás todo mundo briga por um.

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Sou jornalista, trabalhei com assessoria de comunicação e fui repórter de turismo. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Sou @rodeiviagens no Insta.


'Diário de bordo: mantenha a classe' têm 2 comentários

  1. 8 de agosto de 2017 @ 21:24 Chris

    O Diário de bordo Mantenha a classe ficou SENSACIONAL!!!!! Tenho certeza que TODOS concordam em gênero, número e grau! Arrasou Thiago!

    Responder


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