É pessoal, venho através dessa dizer que, depois de tanto tempo entre uma viagem e outra, Chicago continua linda.
Visitar Chicago depois de tanto tempo (falha minha, eu sei), me fez ter aprendido mais sobre a cidade, até porque, pela primeira vez, eu não contei com as mordomias de quem se hospeda na Mag Mile, o trecho mais badalado da Michigan Avenue.
No mês passado eu passei uma semana hospedado no McCormick Place, o complexo do maior centro de convenções do mundo – o que é muito legal, e prático quando se está em uma convenção, mas é razoavelmente distante do centro.
Depois dessa experiência eu me toquei que Chicago é muito mais divertida quando se está de carro ou sem medo de usar metrô, trem e ônibus – e algumas vezes todos eles em um mesmo trajeto.
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Chicago além do óbvio: por que o transporte público é o seu melhor aliado
Chicago é maravilhosa, mas é enorme.
Para o turista brasileiro que chega cheio de planos e geralmente pouco tempo de viagem, a tentação de ficar restrito a Michigan Avenue e seus arredores é grande, afinal, tudo parece estar ali: lojas, parques, museus…
Mas a verdade é que parte do charme de Chicago está um pouco além do circuito mais famoso – e é aí que o transporte público entra como um aliado indispensável.
O sistema de metrô e ônibus de Chicago, administrado pela CTA (Chicago Transit Authority), é eficiente, seguro e fácil de usar.
Com ele, é possível conhecer bairros bem diferentes dos que a gente vê ali no centro, além de parques urbanos, praias, mercados locais e atrações culturais que simplesmente não cabem em roteiros a pé.

Como se locomover em Chicago de transporte público
O sistema de transporte público de Chicago cobre praticamente todos os pontos citados neste post.
Para circular com facilidade, a dica é comprar um dos passes da CTA, que valem para metrô e ônibus, mas não valem para trens que funcionam de forma a parte, o Metra.
Enfim, falando sobre o CTA (ou seja, ônibus e metrô): o passe ilimitado de um, três ou sete dias costuma compensar bem para quem usa o transporte pelo menos três vezes ao dia por mais de dois dias.
Outra opção prática, mas provavelmente menos econômica, é usar o sistema de tap com cartão de crédito ou débito só aproximando o celular da catraca, como no metrô de Nova York, por exemplo.

10 passeios em Chicago para fazer usando transporte público
As linhas de metrô utilizadas nesse roteiro foram:
- a Linha Azul (Logan Square, Wicker Park, Fashion Outlets e aeroporto),
- a Linha Verde (Garfield Park, West Loop, Hyde Park,Oak Park),
- a Linha Rosa (Pilsen e West Loop),
- a Linha Marrom (Lincoln Park) e
- a Linha Vermelha (Andersonville).
Como estamos sugerindo lugares diferentes e na maior parte das vezes longe do centro, as estações não se repetem, mas vale ficar atento a estação Morgan em West Loop que é atendida tanto pela linha rosa quanto pela linha verde.
Tabela de conteúdos
- Chicago além do óbvio: por que o transporte público é o seu melhor aliado
- 10 passeios em Chicago para fazer usando transporte público
- Andersonville: tradição sueca
- Lincoln Park e o Zoológico gratuito
- Logan Square: arte urbana e brunch
- Garfield Park Conservatory: um oásis em pleno West Side
- West Loop e o Fulton Market District
- Museum of Science and Industry: para quem viaja com (ou sem) crianças
- Wicker Park: compras (e muito mais) em Chicago
- Oak Park: arquitetura e história
- Pilsen: murais latinos, tacos e arte
- Fashion Outlets of Chicago: compras a poucos minutos do metrô
- Conclusão
Andersonville: tradição sueca
Linha Vermelha do metrô (estação Berwyn)
Ao sair da estação Berwyn, siga pela Berwyn Avenue até a Clark Street, onde tudo acontece.
Comece o passeio na Women & Children First, uma das livrarias feministas mais famosas dos Estados Unidos. É o tipo de lugar onde vale entrar mesmo sem a intenção de comprar – o acervo, o clima, os atendentes… Vale a ida.
Dali, continue subindo a Clark Street e pare para um café no The Coffee Studio, que serve bebidas diferentes em um ambiente bem moderninho, ótimo para uma pausa entre uma descoberta e outra.
Se a fome bater, o Svea Restaurant serve pratos típicos suecos há anos – não deixe de experimentar as panquecas com lingonberry, uma frutinha escandinava deliciosa que lembra uma cereja.
Para fechar o passeio, entre no Swedish American Museum, que é pequeno, não demanda muito tempo.
A Clark Street é perfeita para uma caminhada sem pressa com paradas em livrarias, antiquários e padarias. Vá com fome.

Lincoln Park e o Zoológico gratuito
Linha Marrom do metrô (estação Armitage)
Lincoln Park é uma das regiões mais agradáveis de Chicago para se perder sem pressa, principalmente no outono, eu já até falei sobre isso aqui.
Desça na estação Armitage e aproveite para caminhar pela avenida de mesmo nome cheia de casas belíssimas e árvores centenárias – eu sempre digo que aquilo ali tem pinta de Upper West Side em Nova York.
Caminhe cerca de 15 minutos em direção ao Lincoln Park Zoo, um dos poucos zoológicos urbanos gratuitos dos Estados Unidos.
Mesmo que você não seja exatamente fã de zoológicos, vale a visita: o parque é lindíssimo, cercado por jardins, estufas, lagos…
Ah, não se esqueça da Nature Boardwalk, atrás do zoológico, uma passarela de madeira que contorna a lagoa e oferece uma das vistas mais fotogênicas da cidade.
Depois do zoológico, siga para o Café Brauer, um edifício histórico dentro do parque que conta com bar e restaurante com mesas externas durante o verão.
Se quiser estender o passeio, o Lincoln Park Conservatory, ali pertinho, é gratuito e reúne coleções botânicas impressionantes – orquídeas, samambaias e palmeiras tropicais em um lugar onde elas geralmente não existem.
Para fechar o roteiro, dê um pulinho em North Avenue Beach, uma das praias mais disputadas da cidade no verão.

Logan Square: arte urbana e brunch
Linha Azul do metrô (estação Logan Square)
Conhecido pelos murais, cafés estilosos e mercados de produtores, Logan Square é bem vibrante (principalmente nos fins de semana) com aquela pegada mais alternativa (ótima dica de brunch, inclusive).
Saindo da estação, caminhe pela Milwaukee Avenue onde cafés, galerias e murais coloridos vão te acompanhando por pelo menos quatro quarteirões.
Comece o passeio com um brunch no Lula Café que é absurdo de bom (e como é tudo orgânico, o cardápio muda com uma certa frequência)!
Se preferir algo mais leve e rápido, tem o Bang Bang Pie & Biscuits que é uma gracinha e parece bem legal.
Depois, explore os arredores da Logan Boulevard, uma alameda arborizada com casas lindas, espaços de arte e feira de rua aos domingos. Em dias de sol fica lotado!
Ah, e tem também a famosa cervejaria Hopewell Brewing Company que vale conhecer.
Garfield Park Conservatory: um oásis em pleno West Side
Linha Verde do metrô (estação Conservatory-Central Park Drive)
Confesso que fiquei sem saber se essa dica entrava ou não, porque além de ser um lado pouco explorado de Chicago, o oeste, é um passeio bem específico também.
Considerado um dos maiores e mais impressionantes jardins botânicos sob estufa dos Estados Unidos, esse… uhm, como posso chamar?… “oásis tropical” surpreende desde a entrada (gratuita, diga-se de passagem).
Ao descer na estação Conservatory-Central Park Drive, você já estará praticamente na porta.
O prédio de vidro em estilo art nouveau se impõe com sua elegância meio esquecida pelo tempo.
Lá dentro, prepare-se para caminhar entre palmeiras altíssimas, jardins de cactos, samambaias gigantes e plantas tropicais que criam um microclima acolhedor – especialmente encantador em dias frios ou chuvosos.

Não deixe de visitar a Fern Room, um dos espaços mais antigos do conservatório, onde a iluminação e a ambientação fazem você se sentir em um lugar bem diferente dali.
Também vale conhecer o Desert House, que contrasta totalmente com o ambiente úmido do restante do espaço.
West Loop e o Fulton Market District
Linha Verde ou Rosa do metrô (estação Morgan)
O West Loop, mais especificamente a região conhecida como Fulton Market District, é o antigo centro distribuidor de carnes de Chicago, mas hoje é o maior polo gastronômico da cidade, com os bares e restaurantes mais disputados.
Comece o passeio caminhando pela Fulton Street, onde galpões industriais se tornaram restaurantes badalados, bares modernos e lojas conceituais.
O Time Out Market é sempre uma boa pedida para almoço, um mercado com dezenas de opções gastronômicas lado a lado em um mesmo lugar.
Eu acabei optando por comer no Au Cheval, um dos hambúrgueres mais icônicos da cidade – que, soube agora, tem uma filial em Nova York também.
Se a ideia for algo mais chique, dois dias antes eu jantei no novíssimo Costera Cocina e adorei – um mexicano com clima jovem, música alta e pratos para compartilhar (com pinta de Bagatelle, sabe?).

Depois, fui caminhando até meu cookie preferido do mundo, o Levain na Randolph Street – e passei por mais um milhão de lugares incríveis que eu poderia ter escolhido para jantar também.
West Loop é ideal para conhecer à noite, a região é movimentada, segura e é muito mais viva depois do pôr do sol.
Museum of Science and Industry: para quem viaja com (ou sem) crianças
Linha Verde do metrô até a Estação Garfield, depois ônibus 55 até a 57th Street
Hyde Park é um charme de bairro – e é lá onde fica o deslumbrante Griffin, que é na verdade o imponente Museum of Science and Industry.
Pena que o Griffin é uma das atrações mais negligenciadas de Chicago, provavelmente porque Hyde Park raramente entra na rota dos turistas.
Existem duas formas de chegar ali usando transporte público:
- Usando o Metra, o sistema de trens a par do sistema principal que tem uma estação bem próxima, a 51st/53rd Street (Hyde Park)
- Ou pegue a linha verde do metrô até a estação Garfield e, de lá, o ônibus 55 que para na 57th Street.
O Griffin já impressiona por fora: uma construção neoclássica que serviu como Palácio das Belas Artes na Exposição Mundial de 1893.
E por dentro ele é ainda mais impressionante: tem até um submarino U-505, capturado durante a Segunda Guerra Mundial, aberto à visitação.

Ao sair, aproveite para explorar o próprio Hyde Park, onde está a Universidade de Chicago – o campus é lindíssimo e parece cenário de filme.
Se quiser uma pausa, o café do museu tem boas opções, mas os arredores também oferecem lugares interessantes, como o Valois, um restaurante histórico onde Barack Obama costumava comer.
Ah, na hora de ir embora, caminhe em direção ao delicioso (e farto) Bistro Ascione e coma embaixo da copa das árvores. O lugar é um charme e a comida é farta e deliciosa.
Wicker Park: compras (e muito mais) em Chicago
Linha Azul do metrô (estação Damen)
Um grupo de jornalistas e eu desbravamos a região de Wicker Park sobre o pretexto de conhecer uma região de compras – só que essa não é a melhor forma de vender Wicker Park.
Apesar de ter lojas conhecidas com uma pegada completamente diferente, como uma Abercrombie & Fitch tão discreta que parecia comércio local, Wicker Park é muito mais um passeio alternativo com bares étnicos e gastronomia do que tarde de compras.
Desça na estação Damen e comece pela North Milwaukee Avenue, onde cafés, brechós e murais coloridos dividem espaço com livrarias independentes e bicicletários cheios.
A primeira parada obrigatória é a Myopic Books, uma livraria com três andares de livros empilhados em corredores estreitos. Mesmo que você não compre nada, a visita em si já é uma experiência.


Logo ao lado, vale tomar um café no Ipsento 606 ou, caso esteja com mais fome do que só um espresso, vá para o The Bongo Room, que serve porções generosas de panquecas.
Se você curte moda indie, vale dar uma parada no Kokorokoko ou no Una Mae’s, que tem peças novas e usadas, além de acessórios, calçados e alguns itens de decoração também.
Antes de ir embora, aproveite o final da tarde no 606 Trail, um parque linear elevado como o High Line de Nova York.
A entrada mais próxima fica a poucos quarteirões dali e oferece uma caminhada deliciosa entre árvores, ciclistas e vistas interessantes da cidade.
Oak Park: arquitetura e história
Linha Verde do metrô (estação Oak Park)
Apesar de ser tecnicamente uma cidade vizinha, para chegar em Oak Park basta pegar a linha verde do metrô e descer na estação Oak Park.
Em menos de 40 minutos você faz uma verdadeira viagem no tempo, podendo caminhar entre casas que compõem um dos maiores legados arquitetônicos dos Estados Unidos.
Foi ali em Oak Park que o arquiteto Frank Lloyd Wright viveu e trabalhou por mais de vinte anos. Sua antiga residência, o Home and Studio, pode ser visitada com tours guiados de uma hora.
Depois do tour, caminhe pelas ruas vizinhas, como a Forest Avenue, onde estão concentradas várias casas projetadas por Wright, além de outras em estilo “prairie school”, típico do início do século passado.
Enfim, é um passeio tranquilo, e silencioso, quase contemplativo. Oak Park é ideal para caminhar com calma, observando as linhas horizontais, os vitrais, os telhados extensos…
Você vai saber reconhecer Frank Lloyd Wright sem nenhuma dificuldade depois de Oak Park.
Antes de ir embora, o centrinho de Oak Park tem boas opções para um café ou almoço leve. O Spilt Milk Pastry é ótimo para fatias de bolo e cafés especiais, enquanto o Il Vicolo é uma tratoria bem italiana, com uma burrata deliciosa.
Pilsen: murais latinos, tacos e arte
Linha Rosa do metrô (estação 18th)
Se você quer conhecer um lado genuinamente multicultural de Chicago, Pilsen é parada obrigatória.
Localizado no Lower West Side, o bairro é conhecido pela forte presença da comunidade mexicana e pela explosão de arte urbana que cobre muros, fachadas e até calçadas.
Pegue a linha rosa do metrô e desça na estação 18th, a via principal do bairro onde você encontra uma mistura deliciosa de restaurantes, cafés, lojas independentes e arte de rua.
Aproveite para visitar o National Museum of Mexican Art, com entrada gratuita e um acervo que vai muito além do folclore, aliás, o que mais tem são instalações ousadas que dialogam com questões sociais.

Depois da visita, pare para comer no Carnitas Uruapan, famoso por servir carne de porco desfiada no estilo Michoacán.
Se quiser algo mais moderno, o 5 Rabanitos tem uns pratos mexicanos bem contemporâneos, aliás, parece que eles acabaram de abrir uma segunda unidade no Hyde Park.
Fashion Outlets of Chicago: compras a poucos minutos do metrô
Linha Azul do metrô (estação Rosemont)
Se você quer gastar menos e ter mais opções, o Fashion Outlets of Chicago, localizado em Rosemont, é a escolha perfeita – até porque, é o único outlet que chega-se de metrô (ou quase).
Basta pegar a linha azul sentido O’Hare e descer na estação Rosemont, a penúltima da linha. A partir dali, são só dez minutos de caminhada até o shopping.
O outlet é coberto e climatizado, com uma arquitetura moderna e corredores amplos – ideal para os dias frios, chuvosos ou muito quentes.
Se estiver com malas ou pensando no trajeto até o aeroporto, vale lembrar que o Fashion Outlets fica a apenas uma estação de metrô do O’Hare, o que faz dele uma parada estratégica para o último dia da viagem.
Você pode fazer compras com calma, usar os lockers do shopping (ou os do aeroporto), jantar por ali e seguir para o embarque de forma prática e econômica.
Conclusão
Chicago é vibrante demais pra ser limitada ao circuito da Michigan Avenue. Com um bom planejamento e o uso inteligente do transporte público, dá pra conhecer bairros criativos, centros culturais, parques encantadores e até fazer compras em outlets fora da rota tradicional.
E tudo isso sem alugar carro e sem cair na armadilha do “dá pra fazer tudo a pé”.
Ao longo dos dez passeios deste roteiro, a gente explorou experiências variadas e complementares:
- Para quem ama arte urbana e bairros descolados: Logan Square, Wicker Park e Pilsen são paradas obrigatórias, cada um com sua alma criativa, cafés charmosos e ruas que contam histórias.
- Para quem busca natureza e respiros verdes: Lincoln Park, Garfield Park Conservatory e até Oak Park oferecem tranquilidade e paisagens inspiradoras.
- Para quem curte cultura e história: o Museum of Science and Industry, o Swedish American Museum em Andersonville e as obras de Frank Lloyd Wright em Oak Park entregam muito sem precisar sair da cidade.
- Para comer bem e viver como um local: o West Loop e sua cena gastronômica pulsante são imbatíveis.
- E se a ideia for fazer compras, o Fashion Outlets of Chicago em Rosemont une praticidade, bons preços e fácil conexão com o aeroporto.



