Retrospectiva: pensando aqui, que viagem foi 2013!

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Não sei se é o espírito natalino que toma conta de mim, mas ontem tive um surto introspectivo de fim de ano logo depois de deitar. Eu louco para dormir e minha cabeça fazendo mil perguntas a mim mesmo, mas a mais insuportável delas era: quem poderia imaginar que 2013 seria o que foi quando ainda estávamos em 2012?

Ninguém sabe quando um ano incrível vem pela frente. Lembro que nas rebabas de dezembro do ano passado eu tinha milhares de pretensões, sonhos e uma quantidade sem fim de desejo pelos planos em mente, mas uma coisa ninguém nunca tem: indícios de que aqueles sonhos irão sair do papel.

Todo ano é assim: logo depois dos fogos a gente sente uma incerteza insuportável de quem não sabe o que vem pela frente. Metas são criadas e colocadas num lugar de destaque na porta da geladeira, mas quantas delas realmente irão se tornar reais?

Eis que percebo que nenhuma das minhas metas foram conquistadas, olha que fracasso. Não publiquei nada do que eu esperava, não conheci os lugares que queria, não tive os domingos que imaginei.

Descobri logo no início do ano duas inexplicáveis hérnias na base da coluna. Passei dois meses sem sentar, que dirá fazer qualquer esforço ou frequentar academia (que era uma meta em andamento, diga-se de passagem). Isso teve relação direta com uma dor insuportável no joelho: acúmulo de líquido patelar, olha que inferno.

Não que alguma coisa fosse mudar, eu poderia viver minha vida exatamente como o planejado, até porque quem precisa trabalhar sentado, dirigir o próprio carro ou dobrar o joelho?

Isso me fez cancelar duas viagens incríveis, e eu nunca tinha cancelado uma viagem até então. Também saí menos, muito menos, o que minha mãe gostou mais, muito mais.

Dadas as circunstâncias usei a maior parte do tempo livre para pensar em mim, coisa que a gente geralmente não faz. Lembrei dos planos que foram parar na porta da geladeira em dezembro do ano passado e como as coisas foram acontecendo de uma forma bem diferente do planejado.

O que nem foi tãooo ruim assim.

Conheci uma fisioterapeuta maravilhosa que me fez ver o quanto cuidar da casca vai muito além de quantos quilos a gente pega no supino. Eu tentando alongar a coluna e ela me ensinando a incrível arte de levantar da cama, sem pressa, em três lições.

Passei a comer e dormir melhor, além dos ganhos indiretos que são ainda mais incríveis.

Sei que minha alimentação pode melhorar em diversos aspectos, mas, hoje, dos dez pratos que sei preparar nove não tem glúten, levam pouca ou nenhuma gordura e os ingredientes nasceram no mar ou brotaram da terra.

Ela me iniciou também no Pilates e no Yoga, duas das melhores surpresas que me acometeram nos últimos anos. Sou capaz de fazer coisas agora que eu jamais imaginei que fossem possíveis com aqueles meus encurtamentos tão embaraçosos.

Uhum. Isso também.

O meu ano começou com uma daquelas paixões loucas que a gente só tem na adolescência.

Claro que eu não esperava por isso, ninguém espera, porque paixão com pinta de roteiro de filme é inesperada, não é programada: os envolvidos se conhecem por acaso, moram sempre muito longe e compartilham da falta de coragem para levar suas loucuras adiante.

Ouvi juras de amor eterno e acreditei em todas elas. Olhei com cara de apaixonado e prometi as estrelas, mas quem me conhece sabe que estou sempre em busca de uma forma de embrulhar o céu (nem sempre consigo, mas nunca desisto).

Terminou, como toda paixão termina, mas foi uma delícia porque é delicioso se sentir assim (mesmo que eu continue sem saber muito bem o que ainda sinto sobre isso).

Sei que sorrio toda vez que lembro.

Blogueiro com o coração partido gastou uma fortuna com livros e revistas. Em uma delas vi o anúncio de um prédio que estava prestes a ser lançado. Fui visitar o stand de vendas, mas fiquei assustado com o preço. Como quem não quer nada, comecei a procurar outras oportunidades, vai que por algum motivo qualquer o universo me incentivasse a morar sozinho.

Foi quando percebi que com 27 anos o meu prazo de validade na casa dos pais estava vencido: rodei Belo Horizonte como nunca, conheci todas as construtoras da cidade e tenho mais de quinze corretores insuportáveis na agenda do celular.

Hoje os contatos foram editados para “não atender”, “cuidado, é ele” e “deixa tocar”.

Depois de muita gasolina queimada, muito conselho pedido e algum paitrocínio envolvido, no dia 6 de setembro assinei o contrato: comprei o meu primeiro apartamento!

Exatamente onde queria, do tamanho que preciso e com todas as possibilidades de fazer dele meu melhor lugar no mundo! Essa foi a viagem mais louca do ano: depois disso passei a contar quantos dias faltam para o próximo dia 20, que é quando o boleto do mês chega das mãos do boy que dispara a campainha.

Filho da mãe.

Passei a trazer sanduíche de casa. Comecei a poupar a grana que preciso na primeira semana do mês, não na última. Bela merda a vida ser feita de escolhas, pensava eu.

Pode parecer que não é legal ter que fazê-las, mas frio na barriga nunca matou ninguém, pelo contrário, é uma delícia senti-lo: não tem coisa melhor do que abrir mão de uma ressaca violenta no domingo para conquistar, mesmo que em 360 parcelas, o que a gente sempre sonhou.

Claro que tem gente que não precisa fazer escolhas, mas essas pessoas jamais saberão a delicia que é sentir o gostinho do sacrifício. O ganho é mais gostoso, parece sobremesa surpresa em fim de jantar (sabe aquelas que vem com creme de avelã por cima?).

Li mais em 2013 do que li nos dois últimos anos. Foram 56 livros em 12 meses. Metade eu não lembro sequer do nome, mas alguns foram surpreendentemente bons, como filmes em um formato alternativo.

Passeei por São Paulo algumas vezes e em uma delas conheci pessoas incríveis na maior feira de turismo do mundo. Comemorei três anos de blog e 200 mil pessoas em 30 dias. Comemorei a melhora do joelho na cidade maravilhosa, o que corou três idas incríveis ao Rio de Janeiro em um mesmo ano.

Na verdade acho que o sucesso de um ano deveria ser medido no número de vezes que vamos ao Rio.

Troquei viagens desejadas e tão aguardadas por uma ida a Europa inesperada. Conheci muita coisa nova, mas o que mais gostei foi da Irlanda e de um lado da Inglaterra que eu não conhecia, logo onde encontrei um lado meu que eu, juro, desconhecia.

Passei calor no deserto e me hospedei de frente para a cordilheira de Santiago. Com os meus amigos desci de carro até Viña e tomei o meu primeiro porre do ano em um lugar muito alto e perigoso, só não lembro exatamente onde.

Fui para Orlando três vezes e desisti de qualquer possibilidade de aposentadoria. Pelo menos não em 2014.

Vi meu time ser campeão da Libertadores. Vi nossa Seleção jogar no Mineirão. Cortei o cabelo, só não cortei a barba. Formei o último amigo em Campos e dividi uma casa enorme com algumas das pessoas mais incríveis que conheço (pena que era em uma boca de fumo).

Conheci pessoais inesquecíveis, e muitas ficarão, outras provavelmente não. Infelizmente nem todas ficam, o negócio é lembrar que podemos desistir de tudo, mas de gente não se desiste nunca.

Pintei o rosto e fui para rua com outras 50 mil pessoas. Pirei assistindo Django. Mergulhei em lago que não se afunda. Comi escondidinho de carne de sol com galã de novela e ensinei a namorada dele a descer no Brooklyn. Escalei o maior estádio da Inglaterra. Subi no maior prédio da Europa. Fotografei mais de mil flamingos lado a lado. Tomei margarita com Corona. Comi caranguejo rei sem faca e lambi os dedos.

Meu 2013 foi incrível, mas não foi nada, absolutamente nada que eu esperava. Por isso já não espero nada de 2014, quero só que seja uma viagem.

Mais uma.

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Sobre

Sou mineiro de Belo Horizonte, onde nasci e moro. Nem toda viagem é trabalho, mas depois do blog todo trabalho virou viagem! Se quiser receber os últimos posts do blog e minhas dicas no WhatsApp é só adicionar (31) 98263.3937 aos seus contatos e mandar um "alô" para ativar o robô do blog!


'Retrospectiva: pensando aqui, que viagem foi 2013!' tem 1 comentário

  1. 16 de junho de 2014 @ 23:58 Fabio Allves

    Muito bom o texto e retrospectiva… agora diz que é o casal de atores? rs

    ;)

    @fabioallves

    Responder


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