Primeiras impressões de Melbourne: porque não me apaixonei

Atualizado em 31 de outubro de 2019 por Thiago Khoury

Tive que fazer uma retrospectiva das minhas primeiras impressões de Melbourne para descobrir porque ela e eu não estávamos em sintonia.

É estranho dizer, geralmente a gente é obrigado a se apaixonar por um lugar que nos faz quebrar o cofrinho, mas a verdade é que entre Melbourne e eu não rolou afinidade.

Em Sydney eu surtei nos primeiros cinco minutos de viagem: fiquei deslumbrado e tive aquela mesma vontade louca de quem chega ali pela primeira vez e jura que só vai passar a férias, mas no segundo dia de viagem já tem até um time local para torcer no campeonato.

Queria ter levado uma surra de civilidade e nessa comparação louca entre Sydney e Melbourne não saber qual da duas escolher, mas Sydney dá de dez em Melbourne – e se alguém pede o tira-teima pode ter certeza que quer só aproveitar mais uns minutinhos para curtir a praia.

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Primeiras impressões de Melbourne: chegando em St Kilda

Primeiras impressões de Melbourne

Quando este post foi ao ar pela primeira vez eu tinha acabado de chegar em Gold Coast da minha primeira viagem a Melbourne. Depois disso eu já voltei outras duas vezes e posso dizer sem pensar duas vezes que Melbourne é um dos melhores lugares do mundo!

Não vou mudar o post que você lê a seguir porque ele demonstra exatamente o que senti quando tive a oportunidade de por em palavras minhas primeiras impressões sobre lá, mas imagino que você esteja curioso para saber o que me fez mudar de ideia.

O tempo. Precisei de uma segunda viagem para que Melbourne maturasse no campo das ideias. Quando cheguei ali pela primeira vez eu estava vindo de Sydney – e eu não estava preparado para deixar Sydney!

Enfim, essas foram minhas primeiras impressões de Melbourne:

Urbanidade e civilidade

Nunca escrevi um subtítulo tão elegante como esse, nem sei muito bem o que eu deveria dizer aqui, mas Melbourne realmente é aquilo que dizem ser – não é por acaso que ela se tornou a única tricampeã no ranking das melhores cidades para se crescer e viver.

Como o ranking mede dezenas de variáveis, pequenos vilarejos interioranos raramente ficam entre os primeiros colocados: eles consideram itens como segurança, níveis de poluição e mobilidade urbana, mas consideram também o acesso à educação de qualidade, chances reais de crescimento profissional e a capacidade de sair e voltar dali.

Eis que em Melbourne tudo isso é impecável: transporte público, segurança pública e uma qualidade do ar tão boa que nem eles conseguem explicar, além de ser um dos maiores centros urbanos que dão acesso rápido, e com uma certa vantagem, às melhores oportunidades do mundo.

Os becos grafitados de Melbourne

E a civilidade?

Que povo incrível esse australiano! Exatamente como em Sydney, sem tirar nem por: as pessoas são educadas, atenciosas e eu como turista me senti extremamente bem-recebido e tratado. Inclusive no transporte público, que já não é dos mais fáceis, basta dizer sorry, that’s my first time here que todas as catracas se abrem, mesmo que você tenha usando um bilhete visivelmente errado.

Mas é mais Rio ou mais São Paulo?

Sydney realmente tem praias incríveis e subúrbios completamente praianos, já a pegada social à beira-mar de Melbourne fica restrita aos arredores de St Kilda, mas de maneira geral é um antro de socialites e tem uma região empresarial que deixa Brisbane no chinelo – por isso, sim, essa comparação tem lá a sua verdade.

Primeiras impressões de Melbourne: Acland Street em St Kilda

Samba do transporte doido

É bem diferente do de Sydney: o metrô é muito útil, vi pouquíssimos ônibus e é quase impossível não entrar e sair dos bondes elétricos como se eles fossem gratuitos dada a naturalidade e frequência em que são usados (atualização: meu Deus, e pior que é gratuito mesmo!). Esse assunto merece muito mais do que um parágrafo.

Prometo que volto nele.

Transporte público em Melbourne: como se locomover em Melbourne

Party rockers

Tive a impressão de que o melhor de Sydney é jovem, barato e mochileiro; e geralmente de frente para o mar, ou bem próximo dele. Já em Melbourne a impressão que fica é que o melhor da noite tem entrada paga e envolve uma certa firula (o que provavelmente é diferente em St Kilda).

Grill’d em Melbourne

Gastronomia em Melbourne

Sou péssima referência aqui, não tive uma experiência das mais ricas: fui ciceroneado por amigos locais e perdi a chance de explorar o lado gastronômico de lá – viajando sozinho a gente usa a maior parte do tempo procurando, o que por si só já é um programa interessante.

Quando estamos sozinhos, qualquer conquista é sempre uma aventura, mas acompanhados por locais o tempo é otimizado e a experiência fica sempre mais restrita.

Enfim, é tentador dizer que, sim, em Melbourne come-se muito bem e com um certo requinte – até porque é isso que todo mundo diz, mas, numa boa?, não ponho minhas mãos no fogo não.

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Clima, gingado, suingue e borogodó

Bem, não posso dizer muita coisa aqui sem tirar a importância do subtítulo final:

E então, por que não me apaixonei por Melbourne?

Primeiro porque não tive o prazer de ficar em St Kilda durante a noite, mas o gingado de lá durante o dia, apesar de não ser uma praia inesquecível, é incrível: tem aquela pegada Bondi depois das seis da tarde que deixa qualquer outro concorrente a ver navios.

Depois porque não curti o CBD de Melbourne: achei confuso, parecia fechado para balanço com tanto tapume e carrinho de cimento. Não tem aquela arquitetura maravilhosa do CBD de Sydney e não vi nenhuma grande atração que justificasse ficar ali a não ser pelo motivo mais óbvio: ficar perto de tudo, o que é prático e deixa qualquer deslocamento mais barato.

St Kilda

Por último, e isso sem contabilizar os incansáveis dias de chuva, não me apaixonei por Melbourne porque saí de Sydney querendo ficar um pouco mais.

Melbourne é incrível, mas ter um pouquinho a mais de Sydney não lhe faria mal algum.

E vocês, qual foram as suas impressões de Melbourne ou o que você espera da cidade?

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