Como um restaurante barato pode custar os olhos da cara em Paris

Atualizado em 26 de novembro de 2017 por Thiago Khoury

Vale dizer que isso não acontece só em Paris, pelo contrário, para acontecer basta estar faminto. Você pode querer gastar pouco e acabar pagando o dobro do que esperava porque além da fome existe uma outra variável que sempre influencia o resultado final: a experiência, que independente do susto, pode ser melhor do que se imaginava.

Caminhando por Montmartre por volta do meio-dia e com quase nada no estômago (viu como a história já começa errada?), Jana, Pamela e eu chegamos na pracinha logo antes da Sacré Coeur com um touro urrando dentro de nossas barrigas.

Na tentativa de economizar alguns trocados nós procuramos as opções mais próximas, todas lado a lado, e decidimos ficar com o preço intermediário do Clairon des Chasseurs – dois restaurantes tinham pratos do dia (entrada, prato principal e sobremesa) por inacreditáveis 10 euros, por isso preferimos ficar com os 15 do Clairon des Chasseurs que pareciam valores mais prováveis.

Dicas para fugir de um restaurante barato por fora, caro por dentro

Ou “como evitar restaurantes furada”

(1) Evite grandes aglomerações turísticas. Restaurantes muito próximos de atrações famosas não precisam prezar pela qualidade, eles terão público independente da qualidade da comida.

(2) Evite lugares onde turistas são laçados. Não trabalhamos em tempos de guerra: desconfie quando o restaurante escala um garçom com o único objetivo de te puxar para dentro.

(3) Desconfie de milagres econômicos. Comer por apenas 10 euros uma refeição composta por três pratos e uma taça de vinho? Foge Bino, é cilada!

(4) Desconfie de cardápios traduzidos em 60 línguas. Claro que você pode, e deve, perguntar por opções em outras línguas do cardápio do lugar, mas o único sentido de anunciar cardápio em hebraico é laçar desavisados que passam por ali.

(5) Olhe para dentro. Principalmente se tratando de Europa, restaurantes estritamente turísticos ocupam primeiro as mesas disponíveis na calçada, mas raramente ocupam a parte de dentro.

Mas, voltando ao Clairon des Chasseurs…

Nosso prato de 15 euros acabou se tornando uma refeição de 45. Foram os 15 já esperados, 13 por duas pequenas garrafinhas de Coca-Cola e outras duas taxas que não me recordo. Os famosos 10%, como bons franceses que fomos, ficaram restritos a uma moeda de um euro por pessoa.

Sim, geralmente um refrigerante não passa de três euros, mas servindo três pratos por 15 euros eles precisavam lucrar de alguma outra forma – e essa é a dica #6: eles assopram dali, mordem daqui.

A grande surpresa do dia

A comida era ótima. Não foi a melhor da viagem, mas longe de ser uma grande furada.

É que geralmente quando 15 viram 45 é bomba, pode esperar. Eis que com o Clairon des Chasseurs a história foi bem diferente: saímos satisfeitos porque fomos bem atendidos,…

Opa, dica #7: comer em restaurante europeu onde garçom fala a língua do cliente é como ser gringo procurando canga barata em Copacabana, você pode não estar no melhor lugar!

… porque a sopa de cebola (que eu podia jurar que não passaria da primeira colherada) era deliciosa e o steak veio exatamente como pedi, ao ponto.

Minha dica número 8: curta o momento. É delicioso descobrir que todas as outras sete dicas podem falhar.

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Comentários (6)
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  • Anaí

    Acho que merecia a dica nº 8: olhar a conta no final e saber o que está pagando, vocês foram meio “manés” tbm (eu diria tapados), vc disse que na conta final tinha taxas que vc nem sabia o que era e mesmo assim pagou. Não custa nada perguntar para o garçon, ele não irá te espancar por causa disto.

    • Thiago Khoury

      Oi Anaí, parece que você não leu direito querida, eu disse “não consigo lembrar”, não disse que paguei sem saber quais eram.

  • Jéssica

    Por que cuidado com garçom que fala português? Essa dica nunca tinha lido por aí. Alguém me explica?
    Obrigada!

    • Thiago Khoury

      Oi Jéssica, eu resolvi mudar essa parte porque estava mesmo complicado de entender. Dá uma olhadinha, vê se ficou melhor – era a dica número 7! ;)

  • Milena F. - Viver Plenamente Paris

    O que eu gosto dos restaurantes da França é que realmente o preço é aquele que está afichado! Mas 6,50€ por cada refri é o fim da ficada (na Italia me cobraram 8!!!), por isso melhor olhar bem o cardápio!!! O que existe em qualquer restaurante francês é tal da carafe d’eau (garrafa de água, da torneira, que é potável e que mesmo 99% dos franceses tomam), que é gratuita!!! Então, para mim, se o preço é de 15€, não pago nem um centavo a mais (na França não existem outras taxas, o pão e outras coisinhas estão inclusos no preço). só em restaurantes chiques pode pegar meio mal pedir essa água, então peço mineral mesmo.
    Muito boas as suas dicas, apenas uma ressalva ao item 5, pois mesmo nos bons restaurantes, geralmente os franceses preferem sentar do lado de fora (terrasse), eles acham que tem mais charme e tb podem fumar. Sem contar poder olhar “o movimento”. Quando a temperatura está agradável eles detestam ficar do lado de dentro, e mesmo no inverno tem gente que prefere a terrasse.

  • Janaína Calaça

    Ai, doeu, doeu no bolso! Hahahahahahah Acho que cobraram a mais pelo show de dança e charme do Manolo! Só pode!!!!

    Beijão, neguitos!

    Jana.